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sábado, 11 de julho de 2009

Monólogo de um Vampiro Psíquico



“Sou o Espírito da treva, a Noite me traz e leva; moro à beira irreal da Vida...".

Eu sou o mais tenebroso de todos os Vampiros.

Não sinto gozo somente perfurando sensíveis membranas de jugulares virginais para sentir o sabor de hemoglobina. Embora algum débil tenha afirmado que "a alma da carne esteja no sangue", e que sangue é vida, no meu entendimento psicossomático, vejo a manifestação da alma na mente, e ela é minha!

Não preciso sujar minhas presas, nem beber sangue, para sugar a seiva anímica de alguém.

Para manter a minha eternidade, Eu sugo almas, esta é uma forma mais refinada de alimentação.

Meu prazer consiste em devorar os centros; intelectual, motor, instintivo, emocional e sexual de cada ser humano. Invado as profundezas de cada vítima, em busca da pedra oculta.

Ao drenar estes centros, tenho o poder de criar ilusões, manipular, ler pensamentos...

Tenho visão telepática, e utilizo a arte psicomântica e o poder de cura, e de destruição para o meu benefício.

Como os outros Vampiros, sou capaz de me transformar em qualquer espécie de animal: morcego, lobo, cão, pássaro... Bem como em criaturas estranhas e imaginárias.

Intimamente, sou o Leão que ruge, procurando a quem devorar. No entanto, prefiro me transformar num homem comum, ou no líder religioso, no político eloqüente, ou nas letras escritas por um ávido Escritor.

A cruz, A Bíblia e o alho não me afugentam. Pelo contrário, bebo água benta para aliviar minhas ressacas, e nas procissões Eu sou o Luciferário.

Sou um manipulador da fé, pois dessa forma consigo atrair mais vítimas. Monto belíssimas igrejas e ofereço conforto espiritual e material em programas de televisão, tudo em nome de Deus.

Nenhuma Lei dita sagrada é verdadeira para mim; nenhum dogma consegue deter minha voz.

"Eu deixo para trás todas as normas que não levam ao meu sucesso e alegria terrenos. Eu me ergo impassível comandando a invasão da lei do mais forte!

Eu olho dentro dos olhos vítreos do seu terrível Deus e o agarro pelas barbas; eu ergo um machado e então racho seu crânio devorado por vermes!

Eu me liberto do sepulcro formado por conteúdos doentes de filosofias vãs e gargalho com um sarcasmo cheio de ira".

Gosto de me aproximar, de abraçar, de apertar as mãos de minhas vítimas. Para inflar o meu peito em ardente escárnio.

Sejam eleitores imbecis ou fiéis idiotas, sempre os trato com o carinho de uma mãe para com o seu filho único, antes de devorá-los.

Proporciono à minha vítima escolhida, imagens de paz e amor, bondade, prazer e luxúria. De acordo com o temperamento, proporciono as imagens que ela sempre gostaria de ver, e faço-a sonhar. E abraço-a como um amante.

Então, começo a sugá-la, não sugo muito, pois a vítima pode ficar muito debilitada. Ou até morrer, o que não é o meu objetivo, pois preciso de escravos para o meu séquito.

Quando encontro alguém que me agrada, procuro olhar fixamente nos seus olhos. Penetro vorazmente no fundo de seu inconsciente.

Ao dormir, ela passa a ter sonhos gozosos, que permanecem por alguns dias, até que cedo ou tarde, ela me convida para a sua cama.

Então, ofereço-lhe alegrias inimagináveis, paz indescritível, êxtase... A cada gemido de prazer e dor, me sinto mais forte. Esta é a minha forma preferida de exaurir.

Sem energia, sem vontade, a vida torna-se um fardo. A depressão tornar-se constante companheira. E tudo parece dar errado, quando Eu não estou presente.

Os familiares e amigos são abandonados, largados ao mofo. Os pesadelos tornam-se freqüentes. Nada neste mundo parece real.

A percepção fica alterada, e seus valores invertidos.

"As poderosas vozes da minha vingança arruinarão a calmaria do ar e se manterão como monólitos de fúria mortal sobre um solo de serpentes retorcidas. Eu me torno uma monstruosa máquina de aniquilação para aqueles fragmentos ulcerosos do corpo daquele que tentou deter-me".***

Desejo apenas que se multiplique a dor causada pela minha crueldade.

E o sono, o sono...

O belo artifício da morte começa envolver como um cobertor numa noite fria.

Então, continuará pensando que sou coisa da imaginação humana.

E como se Eu me sentisse vivo novamente, Continuarei existindo.

Na busca do amor...

Que procuro, mas não tenho por quem chorar.

Nem com quem sorrir...

O beijo...

E o corpo que por alguns instantes me fez se sentir vivo...

Não mais...

E já que não posso amar...

Agradeço por ter me convidado a entrar em sua mente.

E ter aberto a sua alma para que Eu pudesse penetrá-la devagar.

Daqui por diante, você carregará também esta lúgubre maldição.

E "Viverá! Viverá doravante sobre esta estranha ponte, que começa onde acaba a vida e termina onde começa a morte".

Pois mesmo quando Eu, quebrando a roda do Samsara, e definitivamente adentrar no fundo do abismo do espaço, sempre estarei em você, e naqueles que lerem ou ouvirem as minhas insalubres palavras.


terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Carma e Reencarnação - Vida e Realização Sadia



(Alguns Toques Vitais da Sabedoria Cigana)


Todo espírito é meio-cigano!

Ao longo das muitas vidas, viaja muito.

Uma hora, é mulher; outra hora, homem... Eternamente viajando...

Quantas vezes dançou em volta de fogueiras? Quantas vezes teve seu sono embalado pelos pais, enquanto ouvia histórias sobre heróis e fadas?

Quantas vezes amou, brigou e entrou e saiu de corpos transitórios? Quantos parceiros já teve?

Que riqueza é a reencarnação!

Poder ser homem ou mulher; alto ou baixo; branco ou negro; amarelo ou vermelho; gordo ou magro. Tudo é possível!

A riqueza está na mudança, na possibilidade de ir e vir, sempre...

O espírito é o mesmo, mas a roupagem muda, como deve ser.

Os milênios passam, as vidas se sucedem, e as danças mudam!

Quem não aceita a reencarnação, é porque quer tudo igual, sempre formatado de acordo com a própria intransigência.

No entanto, o idoso de hoje será a criança do futuro. E a criança de agora é o velho de outrora! Atrás do véu dos sentidos e dos corpos, o mesmo espírito.

Nos olhos - azuis, verdes, castanhos, claros ou negros -, o mesmo brilho do eterno. Que maravilha, poder ser tudo, de todos os jeitos!

Poder aprender bastante, sendo muitos! E, ao mesmo tempo, sendo o mesmo!

Todo espírito é meio-cigano, pois viaja muito... E dança em volta das fogueiras do infinito.

E a Mãe Divina - ou Pai Divino, se quiserem -, dança junto, dentro de cada ser.

A vida jamais será do jeito que os homens desejam.

Cada dança é diferente das outras; cada momento é uma dádiva; cada vida, uma grandeza! Mudam as vestimentas e os costumes. Contudo, o dançarino é o mesmo, pois é eterno!

Que todas as danças sejam lindas! Que os dançarinos sejam muito felizes!

Comemorem a vida, de que jeito ela vier!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

NO CULTO DA GENTILEZA





Lembra-te de que Deus atende aos homens por intermédio das próprias criaturas e faze da gentileza uma prece constante, através da qual a Celeste Bondade se manifeste.
*
Muitos recorrem à Providência Divina, entre a revolta e opessimismo, olvidando a necessidade de compreensão para que o bem se exprima em dons de reconforto, ao redor dos próprios passos, esparzindo a esperança, a fim de que o coração se mantenha preparado, à frente das bênçãos que se propõe a recolher.
*
Ninguém na Terra é tão bom que possa proclamar-se plenamente liberto do mal e ninguém é tão mau que não possa fazer algum bem nas dificuldades do caminho...
*
Nos maiores delinqüentes há sempre um filho de Deus, transviado ou adormecido, aguardando o toque do amor de alguém, para tornar à trilha certa 
*
Sê compassivo e atrairás a bondade! 
Sê amigo do próximo e a amizade do próximo virá ao teu encontro.
*
O carinho fraterno é uma fonte de bênçãos a deslizar no chão duro
da rotina ou da indiferença, dessedentando as almas sequiosas que passam.
*
Realmente, é sempre uma afirmação de fé a nossa rogativa verbal ao Todo Misericordioso e a prece sentida é energizante em nosso próprio espírito, erguendo-nos para os cimos da existência.
*
O Senhor, no entanto, espera igualmente que nos façamos bons de uns para com os outros, assim como exigimos seja Ele para nós o benfeitor infatigável e incessante.
*
Não te esqueças de que o Mestre nos espera ao lado das próprias criaturas que caminham conosco, a fim de auxiliar-nos.  
*
Sejamos devotos da cortesia e de afabilidade, em todos os instantes, para que não aconteça venhamos a dizer, depois da oportunidade perdida:—
— “Efetivamente, o Senhor estava junto de mim, mas, não pude
senti-lo.”
Porque, em verdade, pelos fios invisíveis do amor, o Divino Mestre permanece constantemente entrosado à nossa própria vida.

(De “Abrigo”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel)

PÁGINA DE AMOR








Amar ainda e sempre para nós todos, os obreiros da Terra, é incessante desafio. Isso porque amar é dar-se, no que possuamos ou sejamos de melhor.

-0-

A beneficência é a preciosa iniciação. Entregamos o que nos sobre em reconforto e, ao adiantar-nos em sentimento, dividimos com os outros aquilo que se nos faça necessário, até mesmo em nos referindo aos recursos primários que se nos mostram indispensáveis à vida.  

Surge, porém, para cada um de nós o momento de dar-se. Dar-se nos mais íntimos pontos de vista. Doar-se em bondade e desprendimento, compreensão e renúncia sem nada pedir em troca. Abençoar a felicidade da pessoa ou das pessoas a quem mais amamos, mesmo quando a felicidade delas não se padronize pelos modelos em que se nos configura a alegria.

Se erguidos à semelhante prova, recusamos sofrimento e mudança, conformidade e reajuste, exigindo algo em nosso favor, efetivamente não estaremos amando ou então amando muito imperfeitamente ainda. Mas se aceitamos amar como se deve amar, surpreendemos a fonte da paz no imo do nosso próprio espírito, porquanto libertando e amparando aos outros
simultaneamente estaremos amparando e libertando a nós mesmos.

-0- 

O amor imaginário, a basear-se no egoísmo, cria desilusão e enfermidade, desequilíbrio e morte. 
O amor autêntico, no entanto, dando o melhor de si sem cogitar de si, gera grandeza e paz, aperfeiçoamento e alegria. Isso acontece porque toda vez que amamos particularmente a alguém que se encontra muito longe de responder-nos com qualquer migalha de compreensão e de afeto, elevamo-nos ao amor de Cristo que nos ama sem que realmente o amemos ainda, reconhecendo,
por fim, que esse alguém, refratário ao nosso amor, é, tanto quanto nós, um ser de origem divina, profundamente amado e constantemente sustentado por Deus. 

Emmanuel 
(De “Encontro de Paz”, de Francisco Cândido Xavier – Espíritos diversos)