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terça-feira, 8 de setembro de 2009

A Morte





Quando Hazreti Muhammad (saws) estava perto de deixar este mundo, ele anunciou sua partida para seus companheiros, e acrescentou que ele deixava atrás de si dois grandes professores para continuar sua obra: um professor falante e um silencioso professor: O Sagrado Alcorão e a morte.

Hz. Omar (as) pagou um empregado cuja única função era vir a ele várias vezes ao dia e lembrá-lo da morte, apontando- o e dizendo: "Oh, Omar, você está se aproximando da morte". Um dia, o sultão dos crentes disse a este homem que não precisava mais de seus serviços, e apontou para um simples cabelo branco em sua barba, que dali em diante lhe serviria como um lembrete da morte.

Alguém veio a Abu Darda, um dos mais amados dos companheiros do Profeta (saws), pedindo um conselho. Ele disse: "Oh, Abu Darda, me ajude. Tenho uma terrível doença - a doença do amor por este mundo. Meu coração está escuro. Não vejo um sinal da luz de minhas orações e devoções. Não tenho alegria". Abu Darda respondeu. "De fato, esta doença é a maior de todas as doenças, e, se não for curada a tempo, pode causar a morte da tua fé. Eu te darei três remédios. Tome-os todos. Visite os doentes. Vá a funerais.

Caminhe nos cemitérios. Se você fizer todas estas coisas freqüentemente, tua doença o deixará. Teu amor e apego a este mundo desaparecerá; teu coração será iluminado outra vez, e teu olho interior se abrirá".

Aquela pessoa seguiu o conselho do santo, mas sua doença não o deixou. Ele veio queixar-se a Abu Darda. O santo lhe disse: "Se você visitou os doentes como alguns médicos e enfermeiros fazem, acreditando que eles podem curá-los, e fazendo isso como uma parte de sua profissão e sustento, e se você vai a funerais como alguns religiosos fazem, julgando pelas flores e a multidão dos parentes, pensando no pagamento que eles receberão por seus serviços, e se você caminha nos cemitérios lendo as lápides glorificando as virtudes mundanas do morto, você não terá feito nenhuma das coisas que eu lhe disse para fazer.

Quando visitar os doentes, veja-se a si mesmo em seu lugar sofrendo, incapaz de comer e beber, próximo da morte, porque é isso que acontecerá com você mais cedo ou mais tarde. Aquilo é tudo o que existe em volta, tudo pelo que se luta. Converse com seus nafs, seu ego, e mostre-lhe que aquela criatura está agonizando sem ajuda e diga-lhe para prestar atenção, porque breve estará partindo, a caminho do seu fim, para deixar o amor do mundo."

Quando você for a funerais, imagine que está deitado naquele caixão, envolvido numa peça de roupa, nu como no dia em que nasceu. Todos seus bens, todo seu dinheiro, toda nossa fama, seu lar, sua esposa, seus filhos, tudo aquilo que você amou foi deixado para trás. Diga a seus nafs que aquele fascinante caixão é um veículo que brevemente será erguido, que todo mundo tem e todo mundo terá. Todos aqueles bens que você acumulou com tanta dor e esforço, toda a reputação, o resultado de tanta coisa pretendida, será desperdiçado. Mostre aquilo a nossos nafs. Mostre-lhes como todos aqueles que pensaram amar o morto estão virando suas faces para longe dele, embora ele tenha deixado tudo para eles. Ele não pode trazer- lhes um copo de água ou um bocado de alimento. Ninguém sabe o que acontecerá a ele, nem mesmo ele.

Pergunte a seus nafs se está pronto. "Quando você for ao cemitério, olhe debaixo da terra sobre a qual você está pisando. Peles macias apodrecendo, simpáticas cabeças caindo de seus corpos, olhos formosos cheios de terra; aquelas línguas cantando como rouxinóis tanto pela glória do mundo ou pela glória do Criador, tendo se tornado comida para insetos. Todos seus atos errados tendo se tornado em feios monstros batendo neles. Quando você caminhar, pense nas cabeças daqueles reis que você está pisando, naquelas testas que eram usadas para coroas, e nos encantadores lábios nos quais os homens teriam dado suas vidas para tocar com seus lábios.

Oh, ego, quando você irá acreditar, quando você terá o bastante das ilusões do mundo? Não vê o que acontecerá a você? Você também, muito breve - como "todo futuro é muito próximo" - será exatamente como aqueles. Você será deixado num buraco negro, que poderia ser um túmulo do inferno, face a face com os horríveis monstros de seus atos. Tire o mundo de dentro de seu coração. Seja puro em suas ações. Oh, nafs, antes que caiamos dentro daquele túmulo escuro, antes que as serpentes e os insetos venham alimentar-se de nós, vamos juntos nos preparar".

Aquela pessoa seguiu a receita de Abu Darda. Seu coração recebeu luz, seu olho interno se abriu, e ele, com gratidão, lembrou-se de seu professor, o médico do coração que reviveu seu coração morto.

Meus companheiros viajantes no caminho da verdade, lembrem-se da morte freqüentemente. Ela poderá ajudá-los a manter-se distantes deste mundo e do amor por este mundo, ela poderá ajudá-los a servir como um médico do próprio coração, para a cura dos males deste mundo.

Extraído do link Sufismo e Islã

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Parábola Sufi - O Caminho do Conhecimento




Era uma vez uma mulher que tinha ouvido falar da Fruta do Paraíso. Ela a desejou.

Assim ela perguntou a um certo dervixe, a quem chamaremos de Sabar: “Como faço para encontrar essa fruta, para que eu possa alcançar o conhecimento imediato?”

“Seria mais prudente que estudasse comigo”, disse o dervixe. “Mas se não o fizer, você terá de viajar pelo mundo com muita resolução e as vezes sem descanso.”

Ela o deixou e procurou outro, Arif, o Sábio; depois se encontrou com Hakim, o Sensato; depois com Majzub, o Louco; depois com Alim, o Cientista. E muitos mais. Um depois do outro incessantemente.

Trinta anos se passaram em sua busca. Por fim, ela chegou a um jardim.

Lá estava a Árvore do Paraíso, e de deus galhos pendia a brilhante Fruta do Paraíso.

De pé, abaixo da árvore, estava Sabar, o primeiro dervixe. “Por que não me disse que você era o guardião da Fruta do Paraíso quando nos encontramos pela primeira vez?”, perguntou ela irada.

“Porque você não teria acreditado em mim, além disso, a árvore produz fruto apenas uma vez a cada trinta anos e trinta dias.”

Parábola Sufi - O Pêssego

Pêssego


Um Mestre Sufi contava sempre uma parábola no final de cada aula, mas os alunos nem sempre entendiam o seu significado.
- Mestre, - perguntou um deles, certo dia - tu contas-nos contos mas nunca nos explicas o que significam.
- As minhas desculpas. - disse o Mestre - Como compensação, deixa-me que te ofereça um belo pêssego.
- Obrigado, Mestre - disse o discípulo, comovido.
- Mais ainda: como prova do meu afecto, queria descascar-te o pêssego. Permites que o faça?
- Sim, muito obrigado. - disse o discípulo.
- E, já que tenho a faca na mão, não gostarias que eu cortasse o pêssego em pedaços, para que te seja mais fácil comê-lo?
- Sim, mas não quero abusar da tua generosidade, Mestre…
- Não é um abuso; sou eu que me estou a oferecer. Quero apenas agradar-te. Permite-me também que mastigue o pêssego antes de to oferecer…
- Não, Mestre! Não gostaria que fizesses isso! - queixou-se o discípulo, surpreendido.
O Mestre fez uma pausa e disse:
- Se vos explicasse o sentido de cada conto, seria como dar-vos de comer fruta mastigada.