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sábado, 25 de setembro de 2010

PARAMAHANSA YOGANANDA - UM MESTRE NA VIDA E NA MORTE

Por motivos profissionais tive que me ausentar um pouco dos estudos que tangem o crescimento interior, muitas circunstâncias interromperam meu ciclo de estudo e busca influenciando também em meus posts, voltei a exigir um tempo para mim, aconteça o que acontecer e nessa volta ao meu Universo, me deparei com o estudo de uma personalidade fantástica, essa personalidade consiste em um grande iogue que foi o principal precursor da filosofia Hindu no ocidente, do qual estou lendo a sua autobiografia intitulada "Autobiografia de um iogue". Já que estou lendo esse livro e tenho apreciado muito a sua leitura, decidi postar esse artigo que saiu na "Sexto Sentido" falando justamente desse Guru fantástico:

Paramahansa Yogananda, considerado uma das mais importantes figuras espirituais de nosso tempo, é saudado por muitos como "o pai do ioga" no Ocidente. Viajando para os Estados Unidos em 1920, por ceais de trinta anos ele ensinou a milenar arte da meditação e os princípios fundamentais para qualquer um obter contato direto cote o Criador.
Helcio de Carvalho

Nascido em 5 de janeiro de 1893 na cidade de Gorakpur, nordeste da índia, com o nome de Mukunda Lal Gosh, Paramahansa Yogananda teve sua missão no mundo profetizada pelo grande iluminado, Mahavatar Babaji, e seu principal discípulo, Lahiri Mahasaya. Mahasaya, ao ver o pequeno Mukunda pela primeira vez, disse a sua mãe, "Teu filho será um grande Togue. Tal qual uma locomotiva espiritual, ele conduzirá muitas almas ao reino de Deus".
Desde pequeno, apesar de parecer uma criança comum, Mukunda tinha muitas lembranças de existências passadas, no Himalaia, quando vivia junto de iluminados que renunciaram ao mundo para se dedicar unicamente ao Criador. Como passar dos anos, já um adolescente, o jovem esteve com Mahasaya e ouviu do sábio uma espécie de profecia, indicando que ele faria uma viagem para a América com o propósito de divulgar a antiga ciência do Kriya Ioga ao Ocidente.
Aguardando esse dia com ansiedade, Mukunda passou a viver em função de encontrar seu próprio mentor espiritual. Ainda bem jovem, por várias vezes ele abandonou a casa dos pais para visitar santos em cidades distantes, desejando ser iniciado e experimentar a bem-aventurança da comunhão com Deus. Suas viagens o levaram a vários iluminados, que sempre lhe diziam para aguardar o momento certo, quando seu guru, apontado por Deus, surgiria para guiá-lo. Mas as várias tentativas de fuga começaram a preocupar o irmão mais velho e o pai, pois ambos tinham medo de que ele abandonasse o mundo e a possibilidade de uma carreira próspera para se tornar um mendicante.
A morte da mãe, comunicada a ele por uma aparição mística, fez brotar novas perspectivas sobre seu caminho espiritual, e a dor da perda abriu seu coração para o amor da Mãe Divina, que lhe fez entender a doçura de Deus sob o aspecto feminino.
Durante mais de uma década, Yogananda viajou e discursou de modo incansável, falando em auditórios superlotados nas maiores cidades do país - desde o Carnegie Hall, em Nova York, até o Los Angeles Philharmonic.

Sri Yukteswar
Em 1917, durante uma de suas fugas para o eremitério Mahamandal, em Benares - sua primeira tentativa de ingressar numa rígida ordem monástica, Mukunda finalmente chegou aos pés do mestre que tanto esperava. O encontro dos dois está assim descrito no clássico Autobiografia de um Togue, escrito pelo próprio Yogananda: "Enquanto Habu (um sacerdote) e eu prosseguíamos, voltei a cabeça para uma viela estreita e insignificante. Um homem que se assemelhava a Cristo, com a veste de cor ocre dos swamis, permanecia imóvel no fim da viela. Pareceu-me instantaneamente, e há muito tempo, familiar. `Você está confundido esse monge errante com alguém conhecido´, pensei. ‘Sonhador, continue seu caminho’.

Dez minutos depois, senti em meus pés uma dormência pesada. Laboriosamente, dei meia volta; meus pés reconquistaram a normalidade. Voltei-me na direção oposta; de novo, o curioso peso me oprimiu. ‘O santo está me atraindo magneticamente!’.
Mukunda deixou o sacerdote, retornou à viela e viu de novo a tranqüila figura, que olhava em sua direção. Ele continua a narrativa: "Os olhos de alcíone, numa cabeça leonina com barba em ponta e mechas de cabelo flutuante, haviam freqüentemente assomado na escuridão de meus devaneios noturnos. ‘Você que é meu, você veio a mim!’, meu guru pronunciou estas palavras, repetidas vezes, em bengali, com a voz trêmula de alegria. ‘Quantos anos esperei por você!’
Era Swami Sri Yukteswar. Mestre e discípulo manifestaram profundo amor e reconhecimento mútuo, sentindo que a vida reaproximava suas almas há muito separadas. A ansiedade de Mukunda chegara ao fim - após longos anos de procura, ele finalmente encontrou abrigo nas bênçãos de seu Mestre.

O eremitério principal do swami ficava em Serampore, a 20 quilômetros de Calcutá. Lá, Mukunda viveu por cerca de dez anos, mas sem abandonar seus estudos, enquanto o mestre lapidava sua alma e o treinava para o trabalho que deveria realizar. Sri Yukteswar sempre fora muito rígido com os que buscavam seu treinamento, tanto que só iniciou seu discípulo na Ordem Monástica dos Swamis depois de comprovar a determinação do jovem. Isso aconteceu em julho de 1914, excepcionalmente sem cerimônias. Mukunda teve o privilégio de escolher seu nome religioso, passando a chamar-se Yogarianda, que significa beatitude através da união com Deus. Em junho desse mesmo ano, Yogarianda diplomou-se na Universidade de Calcutá como bacharel em artes.

Missão Divina
Yogananda deu início à missão de sua vida fundando uma escola para meninos, em 1917, na qual modernos métodos educacionais eram combinados a treinamentos em ioga e instruções sobre os princípios básicos para se viver uma vida feliz e em comunhão com o espírito. Visitando a escola alguns anos depois, Mahatman Ghandi escreveu: "Esta instituição me impressionou profundamente".

Em 1920, o ainda jovem swami recebeu um convite para viajar ao Ocidente e, como delegado da índia, participar de um congresso internacional de líderes religiosos, em Boston, EUA. Inseguro porque não falava bem o inglês, Yogananda perguntou a Sri Yukteswar se deveria ir. "Todas as portas estão abertas para você", o mestre respondeu. "É agora ou nunca!" Chegando à América, seu discurso no congresso, cujo tema era A Ciência da Religião, foi recebido com tanto entusiasmo que ele foi convidado a dar uma série de outras palestras em diversas cidades americanas. Alguns meses depois, Yogarianda fundou uma organização que chamou de Self-Realization Fellowship (Fraternidade da Auto-Realização), destinada a disseminar os ensinamentos e filosofia do ioga para o mundo.
Dando seqüência à tarefa de aproximar o homem de Deus através da meditação, o jovem yogue passou os quatro anos seguintes discursando e ensinando na costa leste dos Estados Unidos e, em 1924, embarcou em uma viagem transcontinental, que o levou até o Alasca, para divulgar sua mensagem. Ele estabeleceu uma sede central da SelfRea-lization Fellowship em Los Angeles, a qual se tornou o coração espiritual e administrativo de seu trabalho.
Durante mais de uma década, Yogananda viajou e discursou de modo incansável, falando em auditórios superlotados nas maiores cidades do país - desde o Carnegie Hall, em Nova York, até o Los Angeles Philharmonic. O jornal Los Angeles Times deu a seguinte notícia: "O Philharmonic Auditorium apresenta o extraordinário espetáculo de milhares de pessoas... que não encontraram lugar uma hora antes do início da palestra, cuja platéia superlotou os três mil assentos do teatro".

Yogananda enfatizava a unidade por trás de todas as grandes religiões do mundo, e ensinava métodos práticos para se obter uma experiência direta e pessoal com o Criador. Os que buscavam um maior aprofundamento em sua mensagem eram iniciados nas técnicas do Kriya Ioga, uma ciência espiritual, desenvolvida na índia há milênios, revivida nos tempos modernos pela linhagem de mestres iluminados à qual o swami pertencia.
Entre seus seguidores figuravam muitos nomes importantes no campo da ciência, negócios e artes, inclusive o horticulturista Luther Burbank, a soprano de ópera Amelita Galli-Curci, George Eastman (inventor da câmera Kodak), o poeta Edwin Markham e o maestro Leopold Stokowski. Em 1927, Yogananda foi oficialmente recebido na Casa Branca pelo Presidente Calvin Coolidge, que se havia interessado muito por suas atividades narradas pela maioria dos jornais americanos.

Volta à Terra Natal
Em 1935, Yogananda partiu em uma viagem de dezoito meses pela Europa e Índia. Na Alemanha, ele teve a oportunidade de se encontrar com a estigmatizada católica Teresa Neumann, que tinha no corpo as chagas de Jesus e, todas as sextas-feiras, revivia a Paixão de Cristo, sofrendo no próprio corpo as agonias do nazareno. Em sua terra natal, ele falou para milhares de pessoas em inúmeras cidades e teve um encontro com Mahatma Gandhi (que pediu para ser iniciado no Kriya Ioga), com o Nobel de Física, Sir C. V. Raman, e com algumas das figuras espirituais mais renomadas do país, como Sri Ramana Maharshi e Anandamoyi Ma. Foi nesse mesmo ano que seu guru lhe conferiu o mais elevado título espiritual da índia: Paramhansa (literalmente Supremo Cisne). O cisne é um símbolo de discriminação espiri- ual, e Paramhansa significa "aquele que manifesta o estado maior de comunhão ininterrupta com Deus".

O memorável reencontro com Sri Yukteswar, após tantos anos, foi relatado por C. Richard Wright, secretário que acompanhou Yogananda durante a viagem: "Com séria humildade entrei atrás de Yogananda no pátio, dentro dos muros do eremitério. Nossos corações batendo aceleradamente, subimos alguns gastos degraus de cimento, pisados, sem dúvida, por inúmeros buscadores da Verdade. À nossa frente, no alto da escada, apareceu silenciosamente o Grande Ser, Swami Sri Yukteswarji, de pé, com a postura nobre do sábio. Meu coração arfou e encheu o peito, pela bênção de estar nesta sublime presença. Lágrimas toldaram meu olhar ansioso, quando Yoganandaji caiu de joelhos e ofertou, com uma inclinação de cabeça, as saudações e o agradecimento de sua alma, tocando com a mão os pés do guru e, a seguir, em humilde obediência, a própria testa. Então se levantou e foi abraçado, dos dois lados do peito, por Sri Yukteswarji. Nenhuma palavra foi dita no início, mas um sentimento intenso era expresso nas mudas frases da alma. Como os olhos deles resplandeciam no calor do encontro! Uma vibração de ternura espalhou-se pelo silencioso pátio e o sol repentinamente se esquivou das nuvens para acrescentar um fulgor de glória".

Intocado pela Morte
Quando retornou da índia aos EUA, Paramhansa Yogananda começou a retirar-se das atividades no mundo e diminuir suas turnês para se dedicar aos escritos que levariam sua mensagem à posteridade. A história de sua vida, relatada no livro Autobiografia de um Yogue, foi publicada em 1946 e, desde então, tornou-se um verdadeiro clássico do espiritualismo moderno, indicado como material de estudo em inúmeras universidades. Um best-seller perene, o livro jamais teve sua publicação interrompida desde a primeira edição, e foi traduzido para dezoito idiomas em todo o mundo.
A missão conferida a Yogananda por seus Mestres foi cumprida à risca e com perfeição, inclusive na hora da sua derradeira partida, quando ele demonstrou o poder do ioga sobre a morte numa ação milagrosa, equiparada a dos maiores santos que já visitaram a Terra.
No dia 7 de março de 1952, convidado de honra em um banquete em homenagem ao embaixador da índia, Binay R. Sen, em Los Angeles, Yogananda proferiu um inspirado discurso, relatando fatos pitorescos de sua vinda aos Estados Unidos. Em seguida, recitando o poema Minha Índia, o mestre ergueu os olhos para o ponto entre as sobrancelhas e abandonou o corpo, entrando em mahasamádhi - a última vez em que um iluminado deixa sua forma física conscientemente.

Seu corpo ficou sendo velado em um retiro espiritual durante quase um mês, aguardando a chegada de devotos indianos. Em seu rosto podia ser visto um leve sorriso.

Vinte dias depois do desprendimento físico, seu corpo continuava sem qualquer indíciode decomposição. Sua face permaneciainalterada, exalando "o divino esplendor da incorruptibilidade".
O diretor do Cemitério de Forest Lawn, Harry T. Rowe, enviou à Self-Realization Fellowship uma carta autenticada, expressando sua admiração pelo estado do Mestre, um caso absolutamente singular em toda a sua experiência: "Nenhum odor de decomposição emanou de seu corpo em qualquer tempo. A aparência física de Yogananda em 27 de março, pouco antes de colocar-se a tampa de bronze no ataúde, era a mesma de 7 de março. Ele parecia, em 27 de março, tão cheio de frescor e intocado pela corrupção como na noite da sua morte. Em 27 de março não havia, em absoluto, motivo para se afirmar que seu corpo sofrera qualquer desintegração física visível. Por essas razões, declaramos novamente que o caso de Paramhansa Yogananda é único em nossa experiência".
Em 1977, no vigésimo-quinto aniversário de mahasamadhi de Yogananda, o governo indiano emitiu um selo comemorativo em sua honra. Junto com o selo, o governo publicou um folheto, no qual havia o seguinte trecho: "Os ideais de amor a Deus e de serviço à humanidade manifestaram-se plenamente na vida de ParamhansaYogananda (...) Embora tenha passado fora da Índia a maior parte de sua vida, seu lugar é entre os nossos grandes santos. Sua obra continua a crescer e a luzir cada vez mais, sempre com maior brilho, levando pessoas de todos os recantos para o caminho da peregrinação em busco do Espírito".

A Ciência do Kriya Yoga
Desenvolvida há milhares de anos pelos antigos rishis (antigos sábios da Índia),o Kriya Ioga se perdeu durante eras, até que Mahavatar Babaji a recuperou e transmitiu a seu discípulo, Lahiri Mahasaya, que a reintroduziu no mundo moderno por intermédio de Sri. Yekteswar e Yogananda.

A técnica do Kriya Ioga só pode ser revelada durante uma iniciação, mas em linhas gerais, consiste em dirigir mentalmente a energia vital, ou prana, em torno dos seis centros situados na coluna vertebral (os chakras).

Segundo Paramhansa Yogananda, "meio minuto de revolução da energia ao redor da sensível medula espinhal efetua progressos sutis na evolução do homem. O meio minuto de Kriya Ioga equivale a um ano de desenvolvimento espiritual natural (...) O principiante em Krya Ioga pratica esta técnica iogue apenas de quatorze a vinte e quatro vezes, duas vezes ao dia (...) O corpo do homem comum é como uma lâmpada de 50 watts, que não pode suportar o bilhão de watts de energia, gerados por uma prática excessiva de Kryia. Através do aumento regular e gradual dos exercícios simples e perfeitamente seguros do Kryia, o corpo humano transforma-se astralmente, dia a dia, e, por fim, está preparado para expressar o infinito potencial de energia cósmica que constitui a primeira expressão materialmente ativa do espírito (...) Desamarrando a corda da respiração que liga a alma ao corpo, o Kryia serve para prolongar a vida e expandir a consciência ao infinito. A técnica iogue vence o cabo de guerra entre a mente e os sentidos enredados na matéria, libertando o devoto para que herde outra vez o reino eterno (...) Mestre do seu corpo e de sua mente, o Kryia iogue finalmente vence o ´último inimigo´, a Morte".

Shamadhi
Trechos de um poema de Yogananda descrevendo o supremo estado de consciência que pode ser atingido por intermédio da meditação.

Levantados os véus de luz e sombra,

Evaporada toda a bruta da incerteza,

Singrando para longe todo o amanhecer de alegria transitória, Desvanecida a turva miragem dos sentidos. Tu és Eu, Eu sou Tu, o Conhecer, o conhecedor, o Conhecido, unificados!

Palpitação tranqüila, ininterrupta, paz sempre nova, eternamente viva.

Deleite transcendente a todas as expectativas da imaginação, beatitude do samadhi!

Om sopra sobre as vapores, descortinando prodígios mais além,

Oceanos desdobram-se revelados, elétrons cintilantes, até que, ao último som do tambor cósmico(*),

Transfundem-se as luzes mais densas em ralos eternos

De bem-aventurança, que em tudo se infiltra.

Imaculado é meu céu mental - abaixo, à frente e bem acima,

Eternidade e Eu, um só raio unido.

Pequenina bolha de riso, eu

Me converti no próprio Mar da Alegria.

(*) Om: vibração criadora que deu origem e mantém toda a criação.
Paramahansa Haribarananda

O último discípulo vivo de Swami Sri Yukteswar
Com mais de 90 anos de idade e demonstrando uma vitalidade invejável, Paramahansa Hariharananda também foi treinado por Swami Sri Yukteswar. Iniciado em Kriya Ioga por Yogananda, até hoje ele continua difundindo essas técnicas milenares ao redor do mundo. Hariharananda falou à Sexto Sentido em entrevista exclusiva.

Quando o senhor começou como aprendiz de Swami Sri Yukteswar? Por favor, diga-nos lguma coisa sobre o grande mestre.
Encontrar o Mestre foi o momento mais memorável na vida deste discípulo. Aconteceu no ano de 1932, quando eu tinha 25 anos. Em sua vida estrita e disciplinada, encontrei um Mestre amável e preocupado, que transformou minha vida na de um verdadeiro buscador.
O senhor se encontrou pessoalmente como Paramahansa Yogananda?
Sim. Foi no ano de 1935-36, durante sua visita à Índia, na casa de seus pais. Depois de conhecê-lo, ele me ensinou o segundo estágio na prática do Kriya.
O senhor tem alguma ligação com a Self-Realization Fellowship (organização fundada por Yogananda)? Já se encontrou como Sri Daya Mata, atual presidente da organização?

Eu me encontrei com Daya Mata várias vezes. Na época, ela era Irmã Daya e estava visitando a índia, no final dos anos 50.
Yogananda, antes de sua morte, disse que seria o último na linha de gurus do Kriya Ioga que se originou com Mahavatar Babaji. Como o senhor se enquadra nisso?
Há muitos mestres na linhagem de Babaji e Lahiri Mahasaya, e Yogananda é um deles. Mas a linhagem de Mestres propriamente dita continua indefinidamente.
Yogananda pedia que um aluno aprendesse duas técnicas preparatórias e exercícios de energização, que preparariam o corpo para a técnica do Kriya. Que preparativos são necessários para ser iniciado pelo senhor?
Apenas um desejo profundo de aprender e praticar é necessário. Nós ensinamos como Lahiri Mahasaya e Sri Yukteshwar ensinavam os alunos.
Quantas Kriyas existem? Quanto tempo um aluno deve esperar para receber todos eles?

Existem seis Kriyas. Tudo depende da sinceridade do aluno.
O senhor conhece Sai Baba, que alguns dizem ser o "avatar vivo" desta era? O que pode nos dizer sobre ele?
Sai Baba é um ser divino. Não tenho mais nada a dizer.
Como uma alma é criada?
A alma não tem princípio.
Como é viver constantemente em nirbikalpa samadhi, o estado interior no qual não existe a respiração?

Esse é um estado de perfeita bem-aventurança, além de qualquer expressão.
Em seu entendimento, por que Deus criou o Universo? Por que tivemos que ir do mineral para o vegetal para o animal e para o humano, em vez de ter nascido divinos e capazes de desfrutar de consciência total e união com Deus desde o princípio?
Deus criou o Universo para a bem-aventurança. É um jogo cósmico.
Qual é a sensação de entrar em samadhi? Sua mente fica submersa na Luz Interior para sempre?

Samadhi é um estado de silêncio absoluto, imerso em luz e som.
O senhor já se encontrou com Sri Yukteswars e outros gurus em anos recentes? Está em contato constante com eles?
Sim.

Mahavatar Babaji continua vivo em um corpo humano físico?
Ele está vivo, mas em seu corpo divino.
Paramahansa Yogananda não permitia que seus discípulos o adorassem. Como senhor vê a adoração a um guru? Isso não é uma armadilha em que o devoto pode cair para escapar de suas responsabilidades como ser humano?
Devoção a um guru é uma expressão de amor e gratidão ao mestre.
Que mensagem o senhor gostaria de deixar para nossos leitores, a maioria sinceros buscadores da Verdade?
Sejam bons. Meditem. Transformem o trabalho em adoração. Sejam calmamente ativos e ativamente calmos. Não desperdicem seu tempo com ninguém, exceto Deus, e assim o tempo não será desperdiçado. Um grama de prática vale mais do que toneladas de teorias.
"Encontrar o Mestre foi o momento mais memorável ria vida deste discípulo. Aconteceu no ano de 1932, quando eu tinha 25 anos. Em sua vida estrita e disciplinada, encontrei um Mestre amável e preocupado, que transformou minha vida na de um verdadeiro buscador".

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

RESPONSABILIDADE BÁSICA


   
Quando você começa a ficar responsável em relação a si mesmo, começa a abandonar suas máscaras. Os outros começam a se sentir perturbados, porque eles sempre tiveram expectativas e você satisfazia essas exigências. Agora eles sentem que você está ficando irresponsável.
Quando os outros dizem que você está sendo irresponsável, estão simplesmente dizendo que você está saindo do controle deles. Você está ficando mais livre. Para condenar o seu comportamento, eles o chamam de irresponsável.
Na verdade, sua liberdade está crescendo e você está se tornando responsável. Responsabilidade significa a habilidade de responder. Ela não é uma obrigação que precisa ser satisfeita no sentido comum. Ela é capacidade de responder, sensibilidade.
Porém, quanto mais sensível você se tornar, mais descobrirá que muitas pessoas acham que você está ficando irresponsável - e você precisa aceitar isso -, porque os interesses delas, os investimentos delas não serão satisfeitos. Muitas vezes você não satisfará as suas expectativas, mas ninguém está aqui para satisfazer as expectativas dos outros.
A responsabilidade básica é para com você mesmo. Assim, um meditador primeiro se torna muito egoísta. Porém, mais tarde, quando ele ficar mais centrado, mais enraizado em seu próprio ser, a energia começará a transbordar. Mas isso não é uma obrigação, não é que a pessoa precise fazê-lo. Ela adora fazê-lo; trata-se de um compartilhar.

Osho

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Kundalini, A Enroscada

 


Kundalini é uma energia muito controversa, cheia de mistérios e lendas a sua volta. O ser humano encarnado tem como fonte básica energética o prana (chi, éter, fluido universal, etc) por onde ele absorve a energia sustentadora e mantenedora da vida. O absorvemos principalmente pela respiração e pelos chacras, notavelmente o cardíaco. Também existe uma energia divina que absorvemos diretamente pelo chacra coronário. Essa energia é de uma natureza mais sublime e sutil do que o próprio prana,  é a energia cósmica.

Além delas, existe ainda uma energia criadora e sustentadora das formas, que vêm do centro da Terra (geoenergia) e a absorvemos pelos chacras inferiores (planta dos pés por exemplo) e a condensamos na base da coluna, no chacra básico. Essa energia é de um aspecto quente e extremamente vermelha assemelhando - se a lava vulcânica, é a kundalini. Kundalini é um termo sânscrito que quer dizer "a enroscada", devido à forma como ela se condensa na base da coluna e pela sua forma de fluir, lembrando uma serpente, devido a isso é muitas vezes chamada de "serpentina de fogo".

A Kundalini se condensa em torno do chacra básico e através de exercícios yogues específicos ela é estimulada, ascendendo por dentro do nádi Sushumna que corre por dentro da coluna vertebral. Ao contrário do que muitos pensam, a Kundalini não sobe pelos dois nádis em volta do Sushumna, Ida e Pingala. Ida e Pingala são nádis por onde circula - se prana e eles começam nas narinas, descendo pela coluna (ao redor do sushumna) distribuindo prana e vitalidade por todo corpo. Ida e Pingala são nádis de "descida", sushumna é um nádi de "subida".

Mas hoje em dia, vemos uma “banalização” e desvirtuamento quando o assunto é kundalini. Todo mundo quer "ascender" kundalini e se iluminar, seja qual for o custo, como se fosse simples como “acender” um foguete no chacra básico. Não querem saber de evoluir conscientemente, apenas querem os "poderes" que a Kundalini traz. Esquecem que despertar kundalini significa despertar a consciência. Jesus, Buda e Krishna nunca fizeram exercícios para despertar Kundalini, mas com certeza a tinham desperta, apenas por suas consciências luminosas e seu corações amorosos.

Kundalini também nada tem a ver com sexo. Existe muito desvirtuamento hoje nas tântricas práticas de despertar da kundalini...  

Quando o neófito busca a força da energia da kundalini, ele depara - se com três "nós", que metaforicamente significam, três barreiras que existem dentro do canal sushumna. O primeiro “nó” encontra - se no chacra básico. Ele impede que a Kundalini flua e irrigue diretamente os chacras superiores. Esse nó é desfeito quando o corpo precisa de mais energia kundalini, para sustentar seu desenvolvimento. Quer desatar esse nó? Busque evoluir!

Depois a energia Kundalini encontra uma segunda barreira,  no chacra cardíaco. Para desfazer - se esse nó, é necessário o desenvolvimento dos sentimentos virtuosos e do verdadeiro amor, o incondicional. É uma barreira que faz você primeiro desenvolver o equilíbrio e o brilho emocional para poder direcionar de forma sábia e correta a força kundalínica.

Por último, a terceira barreira encontra - se no chacra frontal, última barreira para a kundalini chegar até o topo do chacra coronário. Para desfazer - se desse nó é necessário o desenvolvimento da chamada consciência cósmica. É estar desperto e equilibrado em todos os sentidos da vida, transcendendo as limitações humanas.

Portanto a Kundalini é desperta através da evolução como espírito imortal e consciência  divina. Aquele que desperta e faz a kundalini fluir diretamente até o chacra coronário, são espíritos com grandes habilidades, competências, genialidade , etc. Mas o mais importante é que para todo esse potencial seja dado um bom uso, sempre com discernimento, luz e amor.   

(Sepe que tem às vezes uns "espirros" kundalínicos, mas para ascender kundalini falta muito, rs! ...) 



Por Fernando Sepe

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

O Novo Homem - Por Osho



Eu ensino um novo homem, uma nova humanidade, um novo conceito de ser no mundo. Eu proclamo o homo novus. O velho homem está morrendo e não há mais necessidade de ajudá-lo a sobreviver. O velho homem está em seu leito de morte: Não se lamente por isso - ajude-o a morrer. Porque somente com a morte do velho, o novo pode nascer. A cessação do velho é o começo do novo.


Minha mensagem para a humanidade é de um homem novo. Menos que isso não servirá. Não algo modificado, não algo continuo com o passado, mas totalmente descontínuo.

O homem tem vivido até agora não verdadeiramente, não autenticamente; O homem tem vivido uma pseudovida. O homem tem vivido numa grande patologia, muito doente. E não há necessidade de viver nessa patologia - podemos sair da prisão, porque a prisão é feita por nossas próprias mãos. Estamos na prisão porque decidimos estar na prisão - porque acreditamos que a prisão não é uma prisão mas nosso lar.

Minha mensagem para a humanidade é: Chega! Despertem! Vejam o que o homem fez a si mesmo. Em três mil anos o homem lutou cinco mil guerras. Você não pode chamar essa humanidade de saudável. E somente de vez em quando um Buda tem florescido. Se no jardim apenas de vez em quando brotasse uma flor numa planta, do contrário todo o jardim permaneceria sem flores, você chamaria isso de jardim? Algo muito fundamental deu errado. Toda pessoa nasce para ser um Buda: menos que isso não irá lhe realizar.

Declaro a você o seu estado búdico.

Mas o que saiu errado? Porque o homem tem vivido por milhares de anos numa espécie de inferno? Por milhares de anos o homem tem vivido com um conceito tal como num campo de batalha entre o mais baixo e o mais alto, o material e o espiritual, o mundano e o outro-mundano, entre o bem e o mal, entre Deus e o diabo. As conseqüências disso limitaram muito o potencial humano.

Para destruir o homem, para destruir seu poder, uma grande estratégia tem sido usada - e esta é dividir o homem em dois. O homem tem vivido com o conceito de ser um materialista ou de ser um espiritualista. Tem sido dito ao homem que ele não pode ser ambos. Seja o corpo ou seja a alma - a você tem sido ensinado que você não pode ser ambos.

Esta tem sido a causa raiz da miséria humana. Um homem dividido contra si mesmo irá permanecer no inferno. O paraíso nasce quando o homem não está mais dividido contra si mesmo. A divisão do homem significa miséria e o homem integrado significa regozijo.

Até agora, a humanidade tem sido esquizofrênica - porque lhe tem sido dito para reprimir, para rejeitar, para negar muitas partes do seu ser natural. E rejeitando-as, negando-as, você não pode destruí-las - elas simplesmente vão para o subterrâneo. Elas continuam funcionando a partir do seu inconsciente; elas se tornam realmente bem mais perigosas.

O homem é um todo orgânico. E tudo que Deus deu ao homem tem que ser usado; nada deve ser negado. O homem pode se tornar uma orquestra; tudo que é necessário é a arte de criar uma harmonia em nosso interior.

Mas suas assim chamadas religiões têm ensinado a vocês caminhos de desarmonia, caminhos de discórdia, caminhos de conflitos. E quando você está lutando consigo mesmo você vai dissipando sua energia. Você permanece tolo, estúpido, ignorante - porque sem muita energia ninguém nunca é inteligente. Quando a energia transborda há inteligência. O transbordamento da energia é o que causa o crescimento da inteligência. E o homem tem vivido numa pobreza interior.

Minha mensagem para a humanidade é: Criem um novo homem - não dividido, integrado, completo. Buda não é completo, nem Zorba o Grego. Ambos são metade e metade. Eu amo Zorba, amo Buda. Mas quando olho no âmago mais profundo de Zorba, algo está faltando: ele não tem alma. Quando olho dentro de Buda, novamente algo está faltando: ele não tem corpo.

Eu ensino um grande encontro: o encontro de Zorba com o Buda. Eu ensino Zorba o Buda - Uma nova síntese. O encontro do céu com a terra, o encontro do visível com o invisível, o encontro de todas as polaridades - do homem com a mulher, do dia com a noite, do verão com o inverno, do sexo com o samadhi. Somente com esse encontro um novo homem surgirá na terra.

Meus sannyasins, meu povo, são os primeiros raios desse novo homem, desse homo novus.

A divisão interior conduziu a humanidade para um estado de suicídio. Isso só criou escravos – e escravos não podem viver realmente, eles não têm nada pelo que viver. Estão vivendo para os outros. Eles foram reduzidos à máquinas – habilidosos, eficientes, mas uma máquina é uma máquina. E a máquina não pode ter a alegria de viver. Não pode celebrar, só pode sofrer.

As religiões antigas acreditavam na renúncia. Renúncia tem sido uma maldição. Eu trago uma benção para vocês: Eu ensino regozijo, não renúncia. O mundo não tem que ser renunciado, pois Deus não renunciou ao mundo - porque você deveria? Deus é... porque você ficaria fora disso?

Viva em sua totalidade – e viver a vida na totalidade traz transcendência. Assim o encontro da terra com o céu é tremendamente belo; não há nada errado. Depois as polaridades desaparecem uma na outra e os pólos opostos se tornam complementares.

Mas o velho homem não era realmente humano. Ele era um humanóide, um homo mechanicus - um homem que não é realmente completo. E o homem que não é completo nunca pode ser santo.

O novo homem está vindo, chegando, todos os dias. Ele é uma minoria, é natural - mas os novos mutantes chegaram, as novas sementes chegaram. E este século, o fim desse século, verá ou a morte de toda a humanidade ou o nascimento de um novo ser humano.

E tudo depende de você. Se você permanecer apegado ao velho, então o velho homem preparou de todas as maneiras cometer um grande suicídio, um suicídio universal. O velho homem está pronto para morrer; o velho homem perdeu a alegria de viver.

Eis porque todos os países estão se preparando para a guerra. E a terceira guerra mundial será uma guerra total. Não haverá vencedor pois ninguém irá sobreviver. Não apenas o homem será destruído mas toda a vida na terra.

Cuidado! Cuidado com os seus políticos - eles são todos suicidas. Cuidado com o velho condicionamento o qual divide vocês em indianos, alemães, japoneses, americanos. O novo homem tem que ser universal. Ele transcenderá todas as barreiras de raça, religião, sexo, cor. O novo homem não será nem do Ocidente nem do Oriente; o novo homem irá declarar a terra inteira o seu lar.

Só assim a humanidade pode sobreviver - e não apenas sobreviver - com a chegada de um novo conceito de homem...o velho é o conceito do ou um/ou outro: o novo será ambos/e. O homem tem que viver uma vida rica tanto interior como exteriormente; não há necessidade de escolha. A vida interior não é contra a vida exterior; elas são parte de um ritmo.

VOCÊ não precisa ser exteriormente pobre para ser interiormente rico. E se você for exteriormente rico pode ser interiormente rico também. Assim tem sido até agora - o Ocidente escolheu: ser exteriormente rico! o Oriente escolheu de outra maneira: Ser interiormente rico! Ambos estão desequilibrados. Ambos têm sofrido, ambos estão sofrendo.

Eu ensino a vocês riqueza total. Sejam ricos exteriormente através da ciência, e sejam ricos interiormente através da religião. E isso é o que fará de vocês um, orgânico, indivíduos.

O novo homem não é nenhum campo de batalha, nenhuma personalidade dividida, mas a imagem de um homem unificado, único, completamente sinérgico com a vida em sua totalidade. O novo homem incorpora uma imagem mais viável, mais mutante, uma nova maneira de ser no cosmos, uma maneira qualitativamente diferente de perceber e experienciar a realidade. Portanto, por favor, não lamente a passagem do velho. Alegre-se que o velho esteja morrendo, a noite está morrendo e o amanhecer está no horizonte.

Estou contente, plenamente contente, porque o homem tradicional está desaparecendo - pois a velha igreja está virando ruínas, pois os velhos templos estão desertos. Estou imensamente contente porque a antiga moralidade está caindo por terra.

Esta é uma crise muito grande. Se aceitarmos o desafio, esta é uma oportunidade de criar o novo. Isso nunca esteve tão maduro em nenhuma época do passado. Você está vivendo numa das mais belas épocas - porque o velho está desaparecendo ou desapareceu e um caos está criado. E somente através do caos nascem as grandes estrelas.

Você tem a oportunidade de criar um cosmos novamente. Essa é uma oportunidade que acontece somente de vez em quando - muito rara. Você é um afortunado de estar vivo nestes tempos críticos. Aproveite a oportunidade para criar um novo homem.

E para criar um novo homem você tem que começar com você mesmo.

O novo homem será um místico, um poeta, um cientista, tudo junto. Ele não irá olhar para a vida através das velhas divisões corroídas. Ele será um místico pois ele irá sentir a presença de Deus. Ele será um poeta pois ele irá celebrar a presença de Deus. E ele será um cientista pois ele irá pesquisar essa presença através da metodologia científica. Quando um homem for todos os três reunidos, o homem está completo.

Este é meu conceito de um homem santo.

O velho homem era repressivo, agressivo. O velho homem tinha que ser agressivo por que a repressão sempre traz agressão. O novo homem será espontâneo, criativo.

O velho homem viveu através das ideologias. O novo homem não irá viver através de ideologias, nem através de moralidades, mas através da consciência. O novo homem irá viver através da percepção. O novo homem será responsável - responsável por si mesmo e para a existência. O novo homem não será moral no velho sentido; ele será amoral.

O novo homem traz um novo mundo com ele. Agora mesmo o novo homem tem que ser uma minoria mutante - mas ele é portador de uma nova cultura, a semente. Ajude-o. Anuncie sua chegada aos quatro ventos; essa é minha mensagem para vocês.

O novo homem é aberto e honesto. Ele é transparentemente real, autêntico. Ele não será um hipócrita. Ele não irá viver através de metas: Ele irá viver aqui/agora. Ele conhecerá apenas um tempo, agora, e apenas um espaço, aqui. E através dessa presença ele conhecerá o que Deus é.

Regozije-se! O novo homem está chegando, o velho está indo. O velho já está na cruz e o novo já está no horizonte.

A Arte de Viver - Osho


Uma pessoa realmente rebelde é aquela que não está nem a favor nem contra a sociedade, é aquela que vive a sua vida de acordo com seu próprio entendimento. Se esse entendimento está contra ou a favor da sociedade, não importa, é irrelevante. Às vezes pode estar de acordo com a sociedade, às vezes pode não estar, mas este não é o ponto a ser considerado. Essa pessoa vive conforme a sua própria compreensão, conforme sua pequena luz. E não estou dizendo que com isso ela se torna muito egoísta. Não, essa pessoa é humilde. Sabe que sua luz é pequena, mas essa é toda a luz que possui. Ela não é inflexível, é muito humilde. Diz: ‘Posso estar errada, mas, por favor, permita-me estar errada de acordo comigo mesma.’

Esta é a única maneira de aprender. Cometer erros é a única maneira de aprender. Mover-se de acordo com a própria compreensão é a única maneira de crescer e tornar-se maduro. Se você estiver sempre procurando alguém que lhe diga o que fazer, obedecer ou desobedecer não fará muita diferença. Se estiver procurando por uma pessoa que lhe diga para decidir a favor ou contra, nunca será capaz de saber o que é a vida. Ela tem que ser vivida e você terá que seguir a sua pequena luz.

Não é sempre que se tem certeza do que fazer. Se você está muito confuso, não se sinta mal com isso. Mas encontre uma maneira de sair da sua confusão. É muito fácil e barato ouvir os outros porque eles podem transmitir-lhe dogmas mortos, podem dar-lhe alguns mandamentos, faça isto, não faça aquilo. E eles estão muito certos dos seus mandamentos. Não é a certeza que deve ser buscada, mas sim a compreensão. Se você buscar a certeza, cairá em alguma armadilha. Não busque a certeza, busque a compreensão. A certeza, qualquer um pode dar-lhe. Mas na análise final você será um perdedor. Perderá sua vida só para estar seguro e certo. Mas a vida não é certa nem é segura.

Vida é insegurança. Cada momento é um mover-se para uma insegurança cada vez maior. É um jogo. Nunca se sabe o que vai acontecer. E é belo que não se saiba. Se fosse previsível não valeria a pena viver. Se tudo fosse como gostaríamos, se tivéssemos certeza de tudo, não seríamos absolutamente homens, seríamos máquinas. Somente para as máquinas tudo é certo e seguro.

O homem vive em liberdade. A liberdade necessita de insegurança e incerteza. Um verdadeiro homem de inteligência está sempre hesitante porque não tem nenhum dogma no qual se apoiar. Ele tem que olhar e responder *.

Lao Tzu diz: ‘Eu hesito e ando alerta na vida porque não sei o que vai acontecer. E não sigo nenhum princípio. Tenho que decidir a cada momento. Nunca decido de antemão. Tenho que decidir quando o momento chega.’

Então, é preciso estar pronto para responder. Isto é responsabilidade. Responsabilidade não é uma obrigação, não é um dever – é a capacidade de responder. Um homem que quer saber o que é a vida tem que ser responsivo. Este homem não está existindo. Séculos de condicionamento fizeram de você uma máquina. Você perdeu a humanidade, trocou-a pela segurança. Você tem segurança e conforto e tudo foi planejado pelos outros. E eles puseram tudo no mapa, mediram tudo. E tudo é absolutamente tolice, pois a vida não pode ser medida, é imensurável. E nenhum mapa é possível porque a vida é um fluxo constante. Tudo está mudando. Nada é permanente, exceto a mudança. Heráclito diz: ‘Não se pode pisar duas vezes no mesmo rio.’

E os caminhos da vida são tortuosos. Não são como os trilhos de uma estrada de ferro. Não, a vida não corre em trilhos. E essa é a sua beleza, a sua glória, a sua poesia, a sua música – é sempre uma surpresa.

Se você estiver buscando segurança e certeza, os seus olhos se fecharão. E cada vez vocêse surpreenderá menos, e perderá a capacidade de se maravilhar, terá perdido a religião. Religião é a abertura de um coração maravilhado, é a receptividade para o mistério que nos circunda.

Não busque segurança, não busque conselhos para viver a vida. As pessoas que me procuram e dizem, ‘Osho, como devemos viver nossas vidas?’, não estão interessadas em saber o que é a vida. Estão interessadas em estabelecer um padrão fixo. Estão mais interessadas em matar a vida do que em vivê-la. Querem que uma disciplina lhes seja imposta.

Existem, é claro, padres e políticos em todo o mundo, que estão prontos e sentados à sua espera. Procure-os e eles estarão preparados para lhe impor suas disciplinas. Eles gostam do poder advindo da imposição de suas idéias sobre os outros.

Eu não estou aqui para isso. Estou aqui para ajudá-lo a tornar-se livre, inclusive de mim também. Quero ajudá-lo a livrar-se de mim. Meu sannyas é uma coisa muito paradoxal. Você se rende a mim para tornar-se livre. Eu o aceito e o inicio no sannyas para ajudá-lo a tornar-se absolutamente livre de todos os dogmas, de todas as escrituras, de todas as filosofias – e eu estou incluído nisto. O sannyas é tão paradoxal quanto a própria vida. E por isso é vivo.

Portanto, não pergunte a ninguém como viver a vida. A vida é tão preciosa! Viva-a. Não estou dizendo que você não cometerá erros; cometerá. Lembre-se apenas de uma coisa: não cometa o mesmo erro duas vezes. Só isso. Se puder encontrar um novo erro a cada dia, faça-o. Mas não repita erros, pois isso é uma tolice. Um homem que pode encontrar novos erros para cometer, cresce continuamente. Esta é a única maneira de aprender, é a única maneira de chegar à própria luz interior.”

OSHO – The Art of Dying – (extraído do Capítulo 1)


Viver...

Na verdade você só pode aprender errando. Seus pais não entendem isso e provavelmente farão de tudo para que você viva como eles, que você não cometa os erros que eles cometeram. Mas não entendem que eles são frutos desses erros e você será dos seus. Você também buscará segurança a todo momento e a sociedade irá dizer que você está certo. Mas penso realmente, hoje, que você estará errado! Você ficará preso ao futuro. Irá tentar prender o destino, matará a incerteza da Vida. Mas essa é exatamente sua beleza. Medite: Tudo, de mais importante que realmente aconteceu na sua Vida e te marcou, simplesmente aconteceu, não foi algo programado. Seu primeiro amor, sua piada favorita, conhecer seu melhor amigo, seus melhores momentos, sua grande idéia, etc. Tudo fruto do acontecer...

A incerteza e o erro são muito próximos e básicos na existência. É melhor aprender a jogar com isso. Só assim o Buda poderá despertar...

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30 anos sorrindo valem mais do que 80 mal vividos! Você vai morrer, amanhã ou talvez daqui a cem anos. Na verdade, pouco importa, o que importa é viver ao máximo o momento. É o tal do Carpe Diem. Simplesmente aproveite, esvazie a cabeça, não preocupe-se tanto, não resista, não seja forte. Mude de idéia a todo momento, crie e viva de acordo com seu coração! Isso é ficar livre. Dá um medo desgraçado no começo, mas, com o tempo, você se acostuma!

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Viva no mundo mas não seja do mundo! Essa frase sintetiza tudo que quero na minha Vida! Em muitas errei! Em algumas tentei escapar do mundo negando-o e o que consegui foi sentir-me frustrado. Em outras, tentei ser Santo negando minha natureza interna e fui devorado pela minha sombra interior. Em muitas me entreguei ao gozo do mundo e apenas aumentei meu ego embriagado pelos sentidos. Por fim, mergulhei na própria sombra, perdendo-me nos vales escuros da alma... Mas foi aí, perdido na loucura, que finalmente entendi...

Chegou a hora, simplesmente, de viver no mundo, mas não ser do mundo...

Isso sintetiza o Meu Caminho!

Não mais quero morrer, nem mesmo fugir.

Não mais serei escravo do dinheiro, nem mesmo do sucesso.

Não persigo a força e o conhecimento menosprezo.

Cultivo o sorriso e sorrio da morte.

Desprezo a responsabilidade e vivo solto na irresponsabilidade.

Queimei os livros Santos e Matei os velhos ídolos!

Faço pouco caso da Iluminação.

A Alma Gêmea desisti de procurar, simplesmente vivencio o puro Amor.

Estou indo, finalmente, de volta pra casa.

Serei eu, apenas eu ... Simplesmente Eu ...