quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Carta do Chefe de Seattle


caboclo131


Em 1854, o Presidente dos Estados Unidos, fez uma grande oferta aos índios por suas Terras. A resposta do chefe da tribo eu posto na íntegra. Essa carta mais tarde viraria um hino à paz e a preservação da natureza. Mais do que isso, mostraria a todos e lembraria sempre, o quanto nós ainda "engatinhamos" quando o assunto é Coração...

“Como você pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? A idéia é estranha para nós. Se nós não somos donos da frescura do ar e do brilho da água, como você pode comprá-los? Cada parte da Terra é sagrada para o meu povo.

Cada pinha brilhante, cada praia de areia, cada névoa nas florestas escuras, cada inseto transparente, zumbindo, é sagrado na memória e na experiência de meu povo.

A energia que flui pelas árvores traz consigo a memória e a experiência do meu povo. A energia que flui pelas árvores traz consigo as memórias do homem vermelho.

Os mortos do homem branco se esquecem da sua pátria quando vão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos nunca se esquecem desta bela Terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da Terra e ela é parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs, os cervos, o cavalo, a grande águia, estes são nossos irmãos. Os picos rochosos, as seivas nas campinas, o calor do corpo do pônei, e o homem, todos pertencem à mesma família.

Assim, quando o Grande Chefe em Washington manda dizer que quer comprar nossa terra, ele pede muito de nós. O Grande Chefe manda dizer que reservará para nós um lugar onde poderemos viver confortavelmente. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Então vamos considerar sua oferta de comprar a terra. Mas não vai ser fácil. Pois esta terra é sagrada para nós.

A água brilhante que se move nos riachos e rios não é simplesmente água, mas o sangue de nossos ancestrais. Se vendermos a terra para vocês, vocês devem se lembrar de que ela é o sangue sagrado de nossos ancestrais. Se nós vendermos a terra para vocês, vocês devem se lembrar de que ela é sagrada, e vocês devem ensinar a seus filhos que ela é sagrada e que cada reflexo do além na água clara dos lagos fala de coisas da vida de meu povo. O murmúrio da água é a voz do pai de meu pai.

Os rios nossos irmãos saciam nossa sede. Os rios levam nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se vendermos nossa terra para vocês, vocês devem lembrar-se de ensinar a seus filhos que os rios são irmãos nossos, e de vocês, e conseqüentemente vocês devem ter para com os rios o mesmo carinho que têm para com seus irmãos. 

Nós sabemos que o homem branco não entende nossas maneiras. Para ele um pedaço de terra é igual ao outro, pois ele é um estranho que chega à noite e tira da terra tudo o que precisa. A Terra não é seu irmão, mas seu inimigo e quando ele o vence, segue em frente. Ele deixa para trás os túmulos de seus pais, e não se importa. Ele seqüestra a Terra de seus filhos, e não se importa.

O túmulo de seu pai, e o direito de primogenitura de seus filhos são esquecidos. Ele ameaça sua mãe, a Terra, e seu irmão, do mesmo modo, como coisas que comprou, roubou, vendeu como carneiros ou contas brilhantes. Seu apetite devorará a Terra e deixará atrás de si apenas um deserto. Não sei. Nossas maneiras são diferentes das suas. A visão de suas cidades aflige os olhos do homem vermelho. Mas talvez seja porque o homem vermelho é selvagem e não entende.

Não existe lugar tranqüilo nas cidades do homem branco. Não há onde se possa escutar o abrir das folhas na primavera, ou o ruído das asas de um inseto. Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não entendo. A confusão parece servir apenas para insultar os ouvidos. 

E o que é a vida se um homem não pode ouvir o choro solitário de um curiango ou as conversas dos sapos, à noite, em volta de uma lagoa. Sou um homem vermelho e não entendo.

O índio prefere o som macio do vento lançando-se sobre a face do lago, e o cheiro do próprio vento, purificado por uma chuva de meio-dia, ou perfumado pelos pinheiros.

O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo hálito – a fera, a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo hálito. O homem branco parece não perceber o ar que respira. Como um moribundo há dias esperando a morte, ele é insensível ao mau cheiro.

Mas se vendermos nossa terra, vocês devem se lembrar de que o ar é precioso para nós, que o ar compartilha seus espíritos com toda a vida que ele sustenta.

Mas se vendermos nossa terra, vocês devem mantê-la separada e sagrada, como um lugar onde mesmo o homem branco pode ir para sentir o vento que é adoçado pelas flores da campina.

Assim, vamos considerar sua oferta de comprar nossa terra. Se resolvermos aceitar, eu imporei uma condição – o homem branco deve tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos.

Sou um selvagem e não entendo de outra forma. Vi mil búfalos apodrecendo na pradaria, abandonados pelo homem branco que os matou da janela de um trem que passava.

Sou um selvagem e não entendo como o cavalo de ferro que fuma pode se tornar mais importante que o búfalo, que nós só matamos para ficarmos vivos.

O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem, o homem morreria de uma grande solidão do espírito.  Pois tudo o que acontece aos animais, logo acontece ao homem. Todas as coisas estão ligadas.

Vocês devem ensinar a seus filhos que o chão sob seus pés é as cinzas de nossos avós. Para que eles respeitem a terra, digam a seus filhos que a Terra é rica com as vidas de nossos parentes. Ensinem as seus filhos o que ensinamos aos nossos, que a Terra é nossa mãe. Tudo o que acontece à Terra, acontece aos filhos da Terra. Se os homens cospem no chão, eles cospem em si mesmos.

Isto nós sabemos – a Terra não pertence ao homem – o homem pertence à Terra.  Isto nós sabemos. Todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Todas as coisas estão ligadas.

Tudo o que acontece à Terra – acontece aos filhos da Terra. O homem não teceu a teia da vida – ele é meramente um fio dela. O que quer que ele faça à teia, ele faz a si mesmo.

Mesmo o homem branco, cujo Deus anda e fala com ele como de amigo para amigo, não pode ficar isento do destino comum.

Podemos ser irmãos, afinal de contas. Veremos. De uma coisa nós sabemos, que o homem branco pode um dia descobrir – nosso Deus é o mesmo Deus. Vocês podem pensar agora que vocês O possuem como desejam possuir nossa terra, mas vocês não podem fazê-lo. Ele é Deus do homem, e Sua compaixão é igual tanto para com o homem vermelho quanto para com o branco.  A Terra é preciosa para Ele, e danificar a Terra é acumular desprezo por seu criador. Os brancos também passarão, talvez antes de todas as outras tribos.

Mas em seu desaparecimento vocês brilharão com intensidade, queimados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e para algum propósito especial lhes deu domínio sobre esta terra e sobre o homem vermelho.  Esse destino é um mistério para nós, pois não entendemos quando os búfalos são mortos, os cavalos selvagens são domados, os recantos secretos da floresta carregados pelo cheiro de muitos homens, e a vista das montanhas maduras manchadas por fios que falam.

Onde está o bosque? 

Acabou. 

Onde está a águia?

Acabou. 


O fim dos vivos e o começo da sobrevivência.”

 

O que é o Jainismo?

Fundado no século VI a.C. por Vardhamana Mahavira (Grande Herói), o Jainismo surgiu como um movimento de reforma do Hinduísmo. Mahavira pertencia a uma casta de guerreiros (kshatryas) e, inconformado com as posições religiosas existentes, resolveu criar esta dissidência que cresceu e tornou-se uma religião independente.

A palavra jainismo é derivada de jaina ou jina que quer dizer vencedor, mas no caso desta religião a vitória que se busca é sobre a espiritual, a vitória sobre as paixões, que ele consideram como a origem de todo o mal. As paixões são as grandes inimigas da alma, pois a mancham prejudicando a compreensão e levam a conhecimentos falsos. As maiores paixões são: fome, ira, desejo, senilidade, nascimento, morte, medo, orgulho, apego, aversão, paixão cega, aborrecimento, arrogância, ódio, mal-estar, suor, sono e surpresa.

Sendo uma religião ateísta, o jainismo não prega a existência de um deus, de um criador e regulador do mundo, de um ser que sempre foi perfeito. A perfeição é a meta a que todos devem se esforçar para alcançar. Aliás, assim como outras religiões orientais, os jainistas acreditam que o homem ao conseguir se livrar das paixões pode atingir um estado de libertação (Moksha) que o torna uma divindade (Tirthankaras) e são estas divindades que eles veneram. Este caminho para a divinização passa por cinco níveis:

·        Arhats Também conhecido como tirthankara ou jina (grande mestre), um arhat é o primeiro ser supremo, um mestre que lança os fundamentos para a libertação de outros;

·        Siddhas - Ele é o segundo ser supremo, uma espécie de santo. Um siddha é uma alma que alcançou a libertação sob a orientação de um mestre, vivendo em estado de êxtase no topo do cosmo;

·        Acharyas São guias espirituais e formam o terceiro nível dos seres supremos. Cadaacharya conduz uma ordem de monges ou monjas;

·        Upadhyayas – Este é o quarto nível dos seres supremos que são monges instrutores que transmitem seu conhecimento das escrituras a outros monges e monjas;

·        Monges O restante dos monges jainistas ocupa o quinto nível dos seres supremos;

Outra crença que eles consideram inconcebível é a de um mundo criado a partir do nada, para eles o mundo é eterno e comporto por seis substâncias reais. Estas seis substâncias são: espaço, tempo, matéria, almas, Dharmastikaya (sustentáculo do movimento), e Adharmastikaya (sustentáculo da estabilidade ou repouso). O espaço serve como um receptáculo para as outras substâncias. Ele é infinito. O tempo é real. Ele é sem começo e sem fim. Os objetos materiais são constituídos de átomos.

Como já dissemos, o jainismo não prega a existência de deuses e, por conseguinte não crê também em demônios, sua filosofia se baseia num dualismo onde o universo está dividido em duas categorias:

·        Jiva – que representa todas as coisas animadas e que possuem alma, nele estão incluídos todos os seres vivos que são uma combinação da alma com a matéria;

·        Ajiva – Que representa todas as coisas inanimadas, materiais, sem alma. Esta categoria tem quatro sub-divisões: matéria, movimento, repouso e tempo;

O principal objetivo dos jainistas é a dominação e a conseqüente libertação das coisas mundanas para que se possa encontrar a verdade. Isto só é possível através da razão e da adoção de uma fé reta, de uma conduta reta, do conhecimento reto e da moderação com misericórdia. Além disso, é preciso seguir com rigor o princípio do ahimsa (não fazer mal a nenhuma criatura), pois este é muito mais amplo, visto que são consideradas criaturas, os seres inanimados, como as pedras, a água, o vento, etc.

O jainismo prega também a reencarnação, sendo este o mecanismo pelo qual o homem vive através de várias existências na carne, podendo vir como homem, animal ou planta, vai gradativamente se depurando, libertando-se do seu karma (ação), que atrai a alma para baixo, impossibilitando a libertação e enredando a alma no ciclo da reencarnação. Somente quando está livre das ações mundanas é que a alma recupera a leveza natural, flutuando para o topo do universo e vivendo em êxtase (nirvana).

O que é o Sikhismo?




A palavra "Sikh" significa "disciplina". Não há uma hierarquização na organização clerical da religião. O fundador do Sikhismo foi o Guru Nanak Dev ( 1469 - 1539 ). Ele pregou uma mensagem de amor e compreensão e criticou os rituais cegos dos Hindus e Muslim. O Guru Nanak passou a liderança da sua nova religião a nove Gurus que lhe sucederam. O último Guru vivo foi o Guru Gobind Singh, que morreu em 1708.
Durante a sua vida o Guru Gobind Singh estabeleceu a ordem Khalsa ( o puro ), os soldados-santos. A ordem Khalsa ergue as maiores virtudes dos Sikhs, dedicação e consciência social. Os Khalsa são homens e mulheres que passaram a cerimónia Sikh do baptismo (Amrit) e que seguem estritamente o Código de Conduta e de Convenções Sikh, o Rahit Maryada e que usam os artigos físicos prescritos da fé. Sendo um dos mais comuns o de não cortar o cabelo, sendo exigido aos homens que o cubram com um turbante, e o Kirpan, a espada cerimonial.
Antes da sua morte o Guru Gobind Singh declarou que os Sikhs já não precisavam de um Guru vivo e nomeou, como seu sucessor espiritual o Sri Guru Granth Sahib, pois sentiu que todos os ensinamentos que os Sikhs necessitavam encontravam-se no Sri Guru Granth Sahib, o Guru eterno dos Sikhs. E como seu sucessor físico o Khalsa.
O Sri Guru Granth Sahib é único no mundo das escrituras religiosas pois é composto pela poesia dos dez Gurus e também por escritos de Santos de outras fés, cujos pensamentos eram consistentes com a filosofia e pensamentos dos Gurus.
O Sikhismo não tem padres ou pastores, estes foram abolidos pelo décimo Guru, pois segundo este os padres tornavam-se corruptos e egocêntricos. Os Sikhs só possuem guardas do Guru Granth Sahib, os Granthi mas qualquer Sikh é livre de o ler no Gurdwara ( templos Sikh ) ou mesmo em sua casa. Todas as pessoas de todas as religiões são bem vindas nos Gurdwaras.
Pode encontrar uma Langar, uma cozinha comunitária gratuita, em cada Gurdwara, onde se serve refeições para todas as pessoas, sejam elas de qualquer religião, casta ou posição social. O Guru Nanak Dev iniciou esta instituição que esboça os princípios básicos Sikhs de humildade, igualdade e serviço comunitário.

Criação do Khalsa e seus principais Simbolos

Os Cinco K ou panj kakaar/kakke são cinco símbolos religiosos usados pelos sikhs que foram iniciados na Khalsa, instituição criada pelo décimo guru sikh, o Guru Gobind Singh, no ano de 1699. Eles são os sinais externos da identidade sikh. Os sikhs que ainda não foram iniciados na Khalsa poderão usar estes símbolos como forma de mostrarem que pertencem a esta religião. Em certas situações, os sikhs podem remover estes símbolos, mas é necessário que estes sejam rapidamente recolocados após a conclusão da atividade.

Kesh - Cabelos sem cortar (*Kesh significa cabelo). Os sikhs não podem cortar o cabelo ou os pêlos do seu corpo. Manter o cabelo comprido é entendido pelo sikhs como uma submissão à vontade de Deus. No caso dos homens isto também implica não fazer a barba e para as mulheres não arranjar as sobrancelhas. Os homens sikhs seguram o cabelo com um turbante branco ou de cor, enquanto que as mulheres usam um lenço comprido.

Kanga - Pequeno pente de madeira (*Kanga ou kangha) guardado pelos sikhs dentro do turbante. Este pequeno pente é utilizado duas vezes por dia pelos sikhs para pentearem o seu cabelo, como sinal de limpeza, ordem e disciplina nas suas vidas.



Kara - Pulseira de aço (*Kara é uma pulseira de aço não ornamentada), dado que não tem funções de decoração pessoal, que se usa geralmente no pulso direito. Simbolicamente representa a união ao guru e à comunidade sikh.



Kaccha - Calção (*Kaccha trata-se de um par de calções curtos, cujo comprimento não pode passar os joelhos). Podem ser usados como peça de vestuário exterior ou como peça de vestuário interior, numa maneira mais de acordo com a cultura ocidental. Os guerreiros sikhs do século XVIII e XIX (a comunidade sikh sofreu historicamente perseguições por parte dos imperadores mogóis) lutavam usando estes calções, que também estão associados à castidade.

Kirpan - O punhal (*Kirpan é um punhal ou uma pequena espada que pode ser usada sobre a roupa ou guardada nesta). O uso do kirpan está autorizado pela Constituição da Índia, país cujo estado do Punjab é o centro e local de nascimento do sikhismo (embora a região histórica do Punjabe esteja hoje dividida entre a Índia e o Paquistão).Os sikhs não devem utilizar o kirpan para praticarem o mal. Ele apenas pode ser utilizado para a auto-defesa ou para proteger alguém que está a ser atacado.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Carma e Reencarnação - Vida e Realização Sadia



(Alguns Toques Vitais da Sabedoria Cigana)


Todo espírito é meio-cigano!

Ao longo das muitas vidas, viaja muito.

Uma hora, é mulher; outra hora, homem... Eternamente viajando...

Quantas vezes dançou em volta de fogueiras? Quantas vezes teve seu sono embalado pelos pais, enquanto ouvia histórias sobre heróis e fadas?

Quantas vezes amou, brigou e entrou e saiu de corpos transitórios? Quantos parceiros já teve?

Que riqueza é a reencarnação!

Poder ser homem ou mulher; alto ou baixo; branco ou negro; amarelo ou vermelho; gordo ou magro. Tudo é possível!

A riqueza está na mudança, na possibilidade de ir e vir, sempre...

O espírito é o mesmo, mas a roupagem muda, como deve ser.

Os milênios passam, as vidas se sucedem, e as danças mudam!

Quem não aceita a reencarnação, é porque quer tudo igual, sempre formatado de acordo com a própria intransigência.

No entanto, o idoso de hoje será a criança do futuro. E a criança de agora é o velho de outrora! Atrás do véu dos sentidos e dos corpos, o mesmo espírito.

Nos olhos - azuis, verdes, castanhos, claros ou negros -, o mesmo brilho do eterno. Que maravilha, poder ser tudo, de todos os jeitos!

Poder aprender bastante, sendo muitos! E, ao mesmo tempo, sendo o mesmo!

Todo espírito é meio-cigano, pois viaja muito... E dança em volta das fogueiras do infinito.

E a Mãe Divina - ou Pai Divino, se quiserem -, dança junto, dentro de cada ser.

A vida jamais será do jeito que os homens desejam.

Cada dança é diferente das outras; cada momento é uma dádiva; cada vida, uma grandeza! Mudam as vestimentas e os costumes. Contudo, o dançarino é o mesmo, pois é eterno!

Que todas as danças sejam lindas! Que os dançarinos sejam muito felizes!

Comemorem a vida, de que jeito ela vier!

Apontamentos Luminosos dos Amparadores Extrafísicos


chakra1



(Dissolvendo as Sombras, de Dentro e de Fora)

1. As emanações da má intenção são um verdadeiro deleite para os espíritos trevosos, que se locupletam nelas. Eles vibram nas ondas maléficas e se associam aos homens por meio delas; primeiro no pensamento, depois no domínio da vontade e, finalmente, no comando invisível das mentes incautas que lhes deram guarida.

2. Urge que a humanidade terrícola tome providências eficazes contra os assédios psíquicos das sombras. Começando pelo expurgo psíquico dos próprios pensamentos maldosos e pela consecução de atos sadios e hígidos.

3. Mudando o padrão psíquico, mudam as vibrações. Mudando o homem, internamente, muda o mundo de fora, por repercussão direta. Mudando o padrão das energias, mudam as companhias extrafísicas correspondentes.

4. Quando os pensamentos buscam o Alto, as energias mudam para melhor, e os agentes das sombras não as toleram. Logo, é de suma importância que os trabalhadores espirituais ergam seus pensamentos, principalmente nos momentos de dramas e vicissitudes. É vital a manutenção da serenidade e da razão nos objetivos e nas atitudes.

5. Manter a luz da paz acesa no próprio espírito não é tarefa fácil. Requer esforços contínuos e o exercício da paciência aliada a uma forte determinação de não se deixar levar pelas emoções inferiores. É tarefa portentosa, para os fortes de espírito, dispostos para as grandes escaladas da sabedoria, pelas cordilheiras psíquicas de si mesmo, para os altos cumes daquela paz que não é desse mundo.

6. Há pencas de espíritos atormentados agarrados no manto de maldade que muitos homens carregam, sem saber. São “sombras carregando sombras”, por semelhança de propósitos deletérios.

7. É preciso coragem para vencer a inércia espiritual!

8. Alguns espíritos trevosos se utilizam de artefatos sombrios, plasmados por suas mentes doentias nas energias do Astral inferior. Eles instalam esses equipamentos psíquicos na aura da vítima, notadamente na área da cabeça, área de atuação dos chacras coronário e frontal, para obscurecer o processo mental normal e infundir idéias negativas, além de bloquear a passagem das energias celestes que estimulam os pensamentos mais elevados e a dinâmica sadia do psiquismo.

Para evitar tal influência nefasta, recomenda-se o exercício da prece e da meditação diária, dentro das possibilidades de tempo de cada um.  Outra medida efetiva é a dilatação da aura da cabeça, pela força da vontade, expandindo a luz amarelo-dourada, de dentro para fora, formando um halo brilhante em torno e, com isso, desagregando as formas mentais deletérias e os artefatos daninhos.

9. O “orai e vigiai”, ensinado há dois milênios pelo meigo Jesus, ainda é o melhor remédio contras as influências espirituais perniciosas.

10. O pior mal não é aquele que vem de fora, mas o que nasce no coração do próprio homem. Um é chamariz do outro, naturalmente. As sombras de fora gostam das sombras de dentro!

11. Se os homens pudessem ver o efeito de seus pensamentos densos no espaço invisível em torno deles mesmos, com certeza ficariam muito envergonhados da poluição psíquica que geram. E, mais ainda, se vissem os seus “despojos energéticos” sendo consumidos pelos verdugos extrafísicos que se alimentam de sua imaturidade, ficariam estarrecidos. Talvez, só assim fossem capazes de mudar alguma coisa em suas mentes.

12. As mentes presas no atoleiro dos pensamentos maldosos jamais compreenderão os altos vôos das consciências pacíficas.

13. O desejo de vingança é um veneno para o homem, mas é uma iguaria para as sombras que se alimentam do mal engendrado por ele.

14. Que os estudantes e trabalhadores espirituais se conscientizem da responsabilidade e da importância de suas atividades espirituais (individuais ou coletivas). A irradiação de pensamentos positivos e de energias salutares tem o poder de dissolver as grossas camadas que envolvem o espaço invisível em torno do mundo. Isso minimiza a influência das sombras desencarnadas sobre as sombras que os encarnados carregam por dentro.

15. Como se ensina nas escolas do Astral Superior, “Paz e Luz” aos homens de boa vontade.

P.S: Que esses apontamentos conscienciais sirvam de alerta aos estudantes e trabalhadores espirituais que se deixam engolfar pela leviandade e pelas emoções pesadas. Que eles ponderem, com prudência e coerência, sobre os caminhos que vêm trilhando e vençam a inércia que tolhe seus potenciais criativos.  

Agradecemos ao Alto pela oportunidade do intercâmbio criativo entre os planos.

- Ramatís e Os Iniciados* –

(Recebido espiritualmente por Wagner Borges – São Paulo, 23 de maio de 2006.)

O Novo Homem - Por Osho



Eu ensino um novo homem, uma nova humanidade, um novo conceito de ser no mundo. Eu proclamo o homo novus. O velho homem está morrendo e não há mais necessidade de ajudá-lo a sobreviver. O velho homem está em seu leito de morte: Não se lamente por isso - ajude-o a morrer. Porque somente com a morte do velho, o novo pode nascer. A cessação do velho é o começo do novo.


Minha mensagem para a humanidade é de um homem novo. Menos que isso não servirá. Não algo modificado, não algo continuo com o passado, mas totalmente descontínuo.

O homem tem vivido até agora não verdadeiramente, não autenticamente; O homem tem vivido uma pseudovida. O homem tem vivido numa grande patologia, muito doente. E não há necessidade de viver nessa patologia - podemos sair da prisão, porque a prisão é feita por nossas próprias mãos. Estamos na prisão porque decidimos estar na prisão - porque acreditamos que a prisão não é uma prisão mas nosso lar.

Minha mensagem para a humanidade é: Chega! Despertem! Vejam o que o homem fez a si mesmo. Em três mil anos o homem lutou cinco mil guerras. Você não pode chamar essa humanidade de saudável. E somente de vez em quando um Buda tem florescido. Se no jardim apenas de vez em quando brotasse uma flor numa planta, do contrário todo o jardim permaneceria sem flores, você chamaria isso de jardim? Algo muito fundamental deu errado. Toda pessoa nasce para ser um Buda: menos que isso não irá lhe realizar.

Declaro a você o seu estado búdico.

Mas o que saiu errado? Porque o homem tem vivido por milhares de anos numa espécie de inferno? Por milhares de anos o homem tem vivido com um conceito tal como num campo de batalha entre o mais baixo e o mais alto, o material e o espiritual, o mundano e o outro-mundano, entre o bem e o mal, entre Deus e o diabo. As conseqüências disso limitaram muito o potencial humano.

Para destruir o homem, para destruir seu poder, uma grande estratégia tem sido usada - e esta é dividir o homem em dois. O homem tem vivido com o conceito de ser um materialista ou de ser um espiritualista. Tem sido dito ao homem que ele não pode ser ambos. Seja o corpo ou seja a alma - a você tem sido ensinado que você não pode ser ambos.

Esta tem sido a causa raiz da miséria humana. Um homem dividido contra si mesmo irá permanecer no inferno. O paraíso nasce quando o homem não está mais dividido contra si mesmo. A divisão do homem significa miséria e o homem integrado significa regozijo.

Até agora, a humanidade tem sido esquizofrênica - porque lhe tem sido dito para reprimir, para rejeitar, para negar muitas partes do seu ser natural. E rejeitando-as, negando-as, você não pode destruí-las - elas simplesmente vão para o subterrâneo. Elas continuam funcionando a partir do seu inconsciente; elas se tornam realmente bem mais perigosas.

O homem é um todo orgânico. E tudo que Deus deu ao homem tem que ser usado; nada deve ser negado. O homem pode se tornar uma orquestra; tudo que é necessário é a arte de criar uma harmonia em nosso interior.

Mas suas assim chamadas religiões têm ensinado a vocês caminhos de desarmonia, caminhos de discórdia, caminhos de conflitos. E quando você está lutando consigo mesmo você vai dissipando sua energia. Você permanece tolo, estúpido, ignorante - porque sem muita energia ninguém nunca é inteligente. Quando a energia transborda há inteligência. O transbordamento da energia é o que causa o crescimento da inteligência. E o homem tem vivido numa pobreza interior.

Minha mensagem para a humanidade é: Criem um novo homem - não dividido, integrado, completo. Buda não é completo, nem Zorba o Grego. Ambos são metade e metade. Eu amo Zorba, amo Buda. Mas quando olho no âmago mais profundo de Zorba, algo está faltando: ele não tem alma. Quando olho dentro de Buda, novamente algo está faltando: ele não tem corpo.

Eu ensino um grande encontro: o encontro de Zorba com o Buda. Eu ensino Zorba o Buda - Uma nova síntese. O encontro do céu com a terra, o encontro do visível com o invisível, o encontro de todas as polaridades - do homem com a mulher, do dia com a noite, do verão com o inverno, do sexo com o samadhi. Somente com esse encontro um novo homem surgirá na terra.

Meus sannyasins, meu povo, são os primeiros raios desse novo homem, desse homo novus.

A divisão interior conduziu a humanidade para um estado de suicídio. Isso só criou escravos – e escravos não podem viver realmente, eles não têm nada pelo que viver. Estão vivendo para os outros. Eles foram reduzidos à máquinas – habilidosos, eficientes, mas uma máquina é uma máquina. E a máquina não pode ter a alegria de viver. Não pode celebrar, só pode sofrer.

As religiões antigas acreditavam na renúncia. Renúncia tem sido uma maldição. Eu trago uma benção para vocês: Eu ensino regozijo, não renúncia. O mundo não tem que ser renunciado, pois Deus não renunciou ao mundo - porque você deveria? Deus é... porque você ficaria fora disso?

Viva em sua totalidade – e viver a vida na totalidade traz transcendência. Assim o encontro da terra com o céu é tremendamente belo; não há nada errado. Depois as polaridades desaparecem uma na outra e os pólos opostos se tornam complementares.

Mas o velho homem não era realmente humano. Ele era um humanóide, um homo mechanicus - um homem que não é realmente completo. E o homem que não é completo nunca pode ser santo.

O novo homem está vindo, chegando, todos os dias. Ele é uma minoria, é natural - mas os novos mutantes chegaram, as novas sementes chegaram. E este século, o fim desse século, verá ou a morte de toda a humanidade ou o nascimento de um novo ser humano.

E tudo depende de você. Se você permanecer apegado ao velho, então o velho homem preparou de todas as maneiras cometer um grande suicídio, um suicídio universal. O velho homem está pronto para morrer; o velho homem perdeu a alegria de viver.

Eis porque todos os países estão se preparando para a guerra. E a terceira guerra mundial será uma guerra total. Não haverá vencedor pois ninguém irá sobreviver. Não apenas o homem será destruído mas toda a vida na terra.

Cuidado! Cuidado com os seus políticos - eles são todos suicidas. Cuidado com o velho condicionamento o qual divide vocês em indianos, alemães, japoneses, americanos. O novo homem tem que ser universal. Ele transcenderá todas as barreiras de raça, religião, sexo, cor. O novo homem não será nem do Ocidente nem do Oriente; o novo homem irá declarar a terra inteira o seu lar.

Só assim a humanidade pode sobreviver - e não apenas sobreviver - com a chegada de um novo conceito de homem...o velho é o conceito do ou um/ou outro: o novo será ambos/e. O homem tem que viver uma vida rica tanto interior como exteriormente; não há necessidade de escolha. A vida interior não é contra a vida exterior; elas são parte de um ritmo.

VOCÊ não precisa ser exteriormente pobre para ser interiormente rico. E se você for exteriormente rico pode ser interiormente rico também. Assim tem sido até agora - o Ocidente escolheu: ser exteriormente rico! o Oriente escolheu de outra maneira: Ser interiormente rico! Ambos estão desequilibrados. Ambos têm sofrido, ambos estão sofrendo.

Eu ensino a vocês riqueza total. Sejam ricos exteriormente através da ciência, e sejam ricos interiormente através da religião. E isso é o que fará de vocês um, orgânico, indivíduos.

O novo homem não é nenhum campo de batalha, nenhuma personalidade dividida, mas a imagem de um homem unificado, único, completamente sinérgico com a vida em sua totalidade. O novo homem incorpora uma imagem mais viável, mais mutante, uma nova maneira de ser no cosmos, uma maneira qualitativamente diferente de perceber e experienciar a realidade. Portanto, por favor, não lamente a passagem do velho. Alegre-se que o velho esteja morrendo, a noite está morrendo e o amanhecer está no horizonte.

Estou contente, plenamente contente, porque o homem tradicional está desaparecendo - pois a velha igreja está virando ruínas, pois os velhos templos estão desertos. Estou imensamente contente porque a antiga moralidade está caindo por terra.

Esta é uma crise muito grande. Se aceitarmos o desafio, esta é uma oportunidade de criar o novo. Isso nunca esteve tão maduro em nenhuma época do passado. Você está vivendo numa das mais belas épocas - porque o velho está desaparecendo ou desapareceu e um caos está criado. E somente através do caos nascem as grandes estrelas.

Você tem a oportunidade de criar um cosmos novamente. Essa é uma oportunidade que acontece somente de vez em quando - muito rara. Você é um afortunado de estar vivo nestes tempos críticos. Aproveite a oportunidade para criar um novo homem.

E para criar um novo homem você tem que começar com você mesmo.

O novo homem será um místico, um poeta, um cientista, tudo junto. Ele não irá olhar para a vida através das velhas divisões corroídas. Ele será um místico pois ele irá sentir a presença de Deus. Ele será um poeta pois ele irá celebrar a presença de Deus. E ele será um cientista pois ele irá pesquisar essa presença através da metodologia científica. Quando um homem for todos os três reunidos, o homem está completo.

Este é meu conceito de um homem santo.

O velho homem era repressivo, agressivo. O velho homem tinha que ser agressivo por que a repressão sempre traz agressão. O novo homem será espontâneo, criativo.

O velho homem viveu através das ideologias. O novo homem não irá viver através de ideologias, nem através de moralidades, mas através da consciência. O novo homem irá viver através da percepção. O novo homem será responsável - responsável por si mesmo e para a existência. O novo homem não será moral no velho sentido; ele será amoral.

O novo homem traz um novo mundo com ele. Agora mesmo o novo homem tem que ser uma minoria mutante - mas ele é portador de uma nova cultura, a semente. Ajude-o. Anuncie sua chegada aos quatro ventos; essa é minha mensagem para vocês.

O novo homem é aberto e honesto. Ele é transparentemente real, autêntico. Ele não será um hipócrita. Ele não irá viver através de metas: Ele irá viver aqui/agora. Ele conhecerá apenas um tempo, agora, e apenas um espaço, aqui. E através dessa presença ele conhecerá o que Deus é.

Regozije-se! O novo homem está chegando, o velho está indo. O velho já está na cruz e o novo já está no horizonte.

A Arte de Viver - Osho


Uma pessoa realmente rebelde é aquela que não está nem a favor nem contra a sociedade, é aquela que vive a sua vida de acordo com seu próprio entendimento. Se esse entendimento está contra ou a favor da sociedade, não importa, é irrelevante. Às vezes pode estar de acordo com a sociedade, às vezes pode não estar, mas este não é o ponto a ser considerado. Essa pessoa vive conforme a sua própria compreensão, conforme sua pequena luz. E não estou dizendo que com isso ela se torna muito egoísta. Não, essa pessoa é humilde. Sabe que sua luz é pequena, mas essa é toda a luz que possui. Ela não é inflexível, é muito humilde. Diz: ‘Posso estar errada, mas, por favor, permita-me estar errada de acordo comigo mesma.’

Esta é a única maneira de aprender. Cometer erros é a única maneira de aprender. Mover-se de acordo com a própria compreensão é a única maneira de crescer e tornar-se maduro. Se você estiver sempre procurando alguém que lhe diga o que fazer, obedecer ou desobedecer não fará muita diferença. Se estiver procurando por uma pessoa que lhe diga para decidir a favor ou contra, nunca será capaz de saber o que é a vida. Ela tem que ser vivida e você terá que seguir a sua pequena luz.

Não é sempre que se tem certeza do que fazer. Se você está muito confuso, não se sinta mal com isso. Mas encontre uma maneira de sair da sua confusão. É muito fácil e barato ouvir os outros porque eles podem transmitir-lhe dogmas mortos, podem dar-lhe alguns mandamentos, faça isto, não faça aquilo. E eles estão muito certos dos seus mandamentos. Não é a certeza que deve ser buscada, mas sim a compreensão. Se você buscar a certeza, cairá em alguma armadilha. Não busque a certeza, busque a compreensão. A certeza, qualquer um pode dar-lhe. Mas na análise final você será um perdedor. Perderá sua vida só para estar seguro e certo. Mas a vida não é certa nem é segura.

Vida é insegurança. Cada momento é um mover-se para uma insegurança cada vez maior. É um jogo. Nunca se sabe o que vai acontecer. E é belo que não se saiba. Se fosse previsível não valeria a pena viver. Se tudo fosse como gostaríamos, se tivéssemos certeza de tudo, não seríamos absolutamente homens, seríamos máquinas. Somente para as máquinas tudo é certo e seguro.

O homem vive em liberdade. A liberdade necessita de insegurança e incerteza. Um verdadeiro homem de inteligência está sempre hesitante porque não tem nenhum dogma no qual se apoiar. Ele tem que olhar e responder *.

Lao Tzu diz: ‘Eu hesito e ando alerta na vida porque não sei o que vai acontecer. E não sigo nenhum princípio. Tenho que decidir a cada momento. Nunca decido de antemão. Tenho que decidir quando o momento chega.’

Então, é preciso estar pronto para responder. Isto é responsabilidade. Responsabilidade não é uma obrigação, não é um dever – é a capacidade de responder. Um homem que quer saber o que é a vida tem que ser responsivo. Este homem não está existindo. Séculos de condicionamento fizeram de você uma máquina. Você perdeu a humanidade, trocou-a pela segurança. Você tem segurança e conforto e tudo foi planejado pelos outros. E eles puseram tudo no mapa, mediram tudo. E tudo é absolutamente tolice, pois a vida não pode ser medida, é imensurável. E nenhum mapa é possível porque a vida é um fluxo constante. Tudo está mudando. Nada é permanente, exceto a mudança. Heráclito diz: ‘Não se pode pisar duas vezes no mesmo rio.’

E os caminhos da vida são tortuosos. Não são como os trilhos de uma estrada de ferro. Não, a vida não corre em trilhos. E essa é a sua beleza, a sua glória, a sua poesia, a sua música – é sempre uma surpresa.

Se você estiver buscando segurança e certeza, os seus olhos se fecharão. E cada vez vocêse surpreenderá menos, e perderá a capacidade de se maravilhar, terá perdido a religião. Religião é a abertura de um coração maravilhado, é a receptividade para o mistério que nos circunda.

Não busque segurança, não busque conselhos para viver a vida. As pessoas que me procuram e dizem, ‘Osho, como devemos viver nossas vidas?’, não estão interessadas em saber o que é a vida. Estão interessadas em estabelecer um padrão fixo. Estão mais interessadas em matar a vida do que em vivê-la. Querem que uma disciplina lhes seja imposta.

Existem, é claro, padres e políticos em todo o mundo, que estão prontos e sentados à sua espera. Procure-os e eles estarão preparados para lhe impor suas disciplinas. Eles gostam do poder advindo da imposição de suas idéias sobre os outros.

Eu não estou aqui para isso. Estou aqui para ajudá-lo a tornar-se livre, inclusive de mim também. Quero ajudá-lo a livrar-se de mim. Meu sannyas é uma coisa muito paradoxal. Você se rende a mim para tornar-se livre. Eu o aceito e o inicio no sannyas para ajudá-lo a tornar-se absolutamente livre de todos os dogmas, de todas as escrituras, de todas as filosofias – e eu estou incluído nisto. O sannyas é tão paradoxal quanto a própria vida. E por isso é vivo.

Portanto, não pergunte a ninguém como viver a vida. A vida é tão preciosa! Viva-a. Não estou dizendo que você não cometerá erros; cometerá. Lembre-se apenas de uma coisa: não cometa o mesmo erro duas vezes. Só isso. Se puder encontrar um novo erro a cada dia, faça-o. Mas não repita erros, pois isso é uma tolice. Um homem que pode encontrar novos erros para cometer, cresce continuamente. Esta é a única maneira de aprender, é a única maneira de chegar à própria luz interior.”

OSHO – The Art of Dying – (extraído do Capítulo 1)


Viver...

Na verdade você só pode aprender errando. Seus pais não entendem isso e provavelmente farão de tudo para que você viva como eles, que você não cometa os erros que eles cometeram. Mas não entendem que eles são frutos desses erros e você será dos seus. Você também buscará segurança a todo momento e a sociedade irá dizer que você está certo. Mas penso realmente, hoje, que você estará errado! Você ficará preso ao futuro. Irá tentar prender o destino, matará a incerteza da Vida. Mas essa é exatamente sua beleza. Medite: Tudo, de mais importante que realmente aconteceu na sua Vida e te marcou, simplesmente aconteceu, não foi algo programado. Seu primeiro amor, sua piada favorita, conhecer seu melhor amigo, seus melhores momentos, sua grande idéia, etc. Tudo fruto do acontecer...

A incerteza e o erro são muito próximos e básicos na existência. É melhor aprender a jogar com isso. Só assim o Buda poderá despertar...

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30 anos sorrindo valem mais do que 80 mal vividos! Você vai morrer, amanhã ou talvez daqui a cem anos. Na verdade, pouco importa, o que importa é viver ao máximo o momento. É o tal do Carpe Diem. Simplesmente aproveite, esvazie a cabeça, não preocupe-se tanto, não resista, não seja forte. Mude de idéia a todo momento, crie e viva de acordo com seu coração! Isso é ficar livre. Dá um medo desgraçado no começo, mas, com o tempo, você se acostuma!

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Viva no mundo mas não seja do mundo! Essa frase sintetiza tudo que quero na minha Vida! Em muitas errei! Em algumas tentei escapar do mundo negando-o e o que consegui foi sentir-me frustrado. Em outras, tentei ser Santo negando minha natureza interna e fui devorado pela minha sombra interior. Em muitas me entreguei ao gozo do mundo e apenas aumentei meu ego embriagado pelos sentidos. Por fim, mergulhei na própria sombra, perdendo-me nos vales escuros da alma... Mas foi aí, perdido na loucura, que finalmente entendi...

Chegou a hora, simplesmente, de viver no mundo, mas não ser do mundo...

Isso sintetiza o Meu Caminho!

Não mais quero morrer, nem mesmo fugir.

Não mais serei escravo do dinheiro, nem mesmo do sucesso.

Não persigo a força e o conhecimento menosprezo.

Cultivo o sorriso e sorrio da morte.

Desprezo a responsabilidade e vivo solto na irresponsabilidade.

Queimei os livros Santos e Matei os velhos ídolos!

Faço pouco caso da Iluminação.

A Alma Gêmea desisti de procurar, simplesmente vivencio o puro Amor.

Estou indo, finalmente, de volta pra casa.

Serei eu, apenas eu ... Simplesmente Eu ...

O Canto do Sabiá e o Pio da Coral







Por Thiago Luiz Ferreira Miranda

Já com algum tempo de leituras e pesquisas incessantes sobre o assunto, a Umbanda me aparece com o curioso aspecto de religião em formação. Muitas são suas faces. Teses são apresentadas sobre seus múltiplos aspectos, almejando sempre a expressão completa, a totalidade das Leis que a regem, ou seja, sua Codificação.

Do muito e do pouco já dito, aparecem alguns pontos comuns, a presença das manifestações espirituais de antepassados culturais brasileiros como o preto-velho, o caboclo, o boiadeiro e tantos outros que se "manifestam" nos inumeráveis terreiros espalhados por este Brasil afora. Do uso da magia para fins diversos e cânticos sagrados (as curimbas), não há terreiro ou tenda que não possua.

Estamos então diante de um caldeirão fervendo chamado Umbanda. Seus mistérios vão desde o seu nome correto - uns dizem possuir origem sânscrita! - passando por sua origem, histórica ou mítica, e pelos Orixás - quais seus nomes corretos, quais deles devem ser cultuados e de que forma. Uma dentre as várias correntes existentes no movimento umbandista, vem crescendo em aceitação, seja em sua prática ritualística, seja em sua parte teórica e mesmo no esboço para uma filosofia na ou da Umbanda. Digo pois da Umbanda Esotérica, cujo divulgador mais conhecido foi W.W. da Matta e Silva (1917 -1988) escritor de nove livros sendo que, o primeiro é também o mais importante deles, "Umbanda de Todos Nós", primeira edição em 1956.

As dificuldades de entendimento desta raiz estão - assim como toda a Umbanda - imersos ainda em alguns véus, principalmente aos novos umbandistas, ou melhor, aos umbandistas que não tiveram a oportunidade de conviver com os primeiros praticantes desta religião. Infelizmente eu também não tive esta oportunidade, não obstante meu espírito intrigado e sedento por conhecimento das coisas às quais me interesso não me deixam desistir da pesquisa, da investigação, da procura pelos primórdios desta religião bem como suas diversas correntes que quem sabe num futuro próximo ou distante venham a se unir em nome de um conhecimento único ou constituir escolas de entendimento que apesar de distintas em suas práticas apenas fazem engrandecer a Umbanda.

Dois problemas lançarei à discussão neste texto. O primeiro deles é sobre a origem histórica desta Umbanda Esotérica e o segundo, sobre a mudança paradigmática operada por esta corrente no entendimento do Orixá, influenciando drasticamente em suas formas de culto, bem como o ponto arquimediano que vem permitindo esta operação.

Dois motivos principais me impulsionam a publicar este texto em caminhos virtuais: a busca por novas informações que possam engrandecer meus conhecimentos e a discussão por parte de todo o meio umbandista, principalmente os seguidores desta corrente, sobre as trilhas abertas nas Matas da Jurema por este diferente pensamento instaurado e nem sempre, creio eu, tão bem analisado ou discutido em seus alicerces. A sua adoção depende de modificações profundas no consciencial umbandista e que dificilmente estão sendo percebidas. E se o canto da Sabiá dentro das Matas da Jurema é sedutor, a picada da Coral é certeira, venenosa e quase sempre mortal.

Deixo claro que nenhuma das palavras que direi neste momento em nada afetam a importância dos personagens envolvidos, seja pelas idéias, seja pela influência que vem exercendo no espírito de tantos. Meu objetivo único é conhecimento, conhecimento, conhecimento. Respeitados aqueles que possuem conhecimento. Respeitada é a religião cujos integrantes tem conhecimento de suas origens e de sua doutrina.

No início deste texto disse que o maior divulgador da Umbanda Esotérica, teria sido Mestre Yapacani. Ao que nos consta, realmente o foi. Mas alguns fatos me levam a crer que apesar de reconhecida importância, não fora este insigne mestre o iniciador de tal doutrina dentre o meio umbandista. No ano de 1941 fora realizado, dos dias 19 a 26 de outubro, na cidade do Rio de Janeiro, até então capital brasileira, o Primeiro Congresso Brasileiro do Espiritismo de Umbanda, com a participação de médiuns pertencentes a diversas Tendas, almejando por objetivo a apresentação de teses relacionadas à Umbanda em suas diversas matizes e interesses (estas teses estão registradas em um livro editado em 1942 pela Federação Espírita de Umbanda na época sito à rua São Bento n. 28 - RJ) Dentre elas estava a Tenda Espírita Mirim cujo delegado representante fora o sr. Diamantino Coelho Fernandes.

No dia 19 de outubro do transcorrido ano a Tenda Espírita Mirim apresentava a seguinte tese:

"O Espiritismo de Umbanda na Evolução dos Povos - Fundamentos históricos e filosóficos". Eis pequena parte da tese (transcrição literal) : "O vocábulo UMBANDA é oriundo do sanskrito, a mais antiga e polida de todas as línguas da terra, a raiz mestra, por assim dizer, das demais línguas existentes no mundo. Sua etimologia provém de AUM-BANDHÃ (om-bandá) em sanskrito, ou seja, o limite no ilimitado... A significação de UMBANDA (o correto seria Ombanda) em nosso idioma, pode ser traduzida por qualquer das seguintes fórmulas: Princípio Divino; Luz Irradiante; Fonte Permanente de Vida; Evolução Constante."

Bem, nos encontramos diante do primeiro problema. Tais afirmações seriam editadas no ano de 1956 por Pai Matta o qual requer autoridade intelectual sobre tal tese, não por ter ele mesmo formulado tais explicações mas, como por ele mesmo escrito, em Umbanda do Brasil pag.74 em sua 2ª edição "...essa Revelação que originalmente nos foi feita pelo Astral Superior da Lei de Umbanda." Lembremo-nos que a primeira publicação de seu primeiro livro " Umbanda de Todos Nós" seria em 1956 ou seja, aproximadamente 15 anos após o Primeiro Congresso do Espiritismo de Umbanda. Estamos portanto diante de duas informações, de dois fatos que não se coadjuvam.

Segundo pesquisas feitas pela Internet existe uma Federação no Rio de Janeiro tendo por nome Primado de Umbanda que professa os mesmos conceitos expostos por Mestre Yapacani, quanto à designação de 7 Orixás (Orixalá, Ogum, Oxossi, Xangô, Yemanjá, Yori, Yorimá) bem como a concordância com a origem sanscrita da palavra Umbanda e o Nheenghatu (língua indígena derivada do Abanheegá, também indígena) usada com diversas finalidades dentro deste movimento, por exemplo, quanto à formação de nomes iniciáticos e mântras sagrados. Ao consultar a bibliografia usada por tal Federação bem como por todos os terreiros a ela filiados, constatei a não utilização dos livros de W.W. da Matta e Silva não obstante, dois livros formam citados como fonte e ambos anteriores a 1956 ou seja, anteriores à publicação de Umbanda de Todos Nós. Portanto, ou esqueceram de citar o uso de tal bibliografia, ou realmente estas explicações são anteriores a W.W. da Matta e Silva.

E curiosamente a entidade fundadora desta Federação chama-se Tenda Espírita Mirim, cujo fundador sr. Benjamim Figueiredo, médium do conhecido Caboclo Mirim, mesma entidade que apresentou a tese sobre as origens sanscritas da palavra Umbanda no Primeiro Congresso Brasileiro do Espiritismo de Umbanda.

Gostaria que pesquisadores, umbandistas ou não, mas sinceros e que de fato sejam conhecedores deste momento histórico na Umbanda possam me disponibilizar informações com as respectivas "provas" para que possamos traçar linhas mais claras sobre o desenvolvimento desta corrente na Umbanda. Volto a afirmar que meu interesse neste momento é única e simplesmente histórico e que quaisquer afirmações não influenciarão em nada a figura de Mestre Yapacani, portentoso médium cujo esforços em muito ajudou e ainda vem ajudando de forma vigorosa o movimento umbandista através de seus livros, mesmo após 45 anos de suas primeiras publicações e 12 anos de seu desenlace.Com todas suas bênçãos, Saravá Pai Matta!

Iniciarei neste momento o segundo ponto que me propus a discutir neste texto, as mudanças operadas pela Umbanda Esotérica no culto aos Orixás e o ponto arquimediano desta mudança. Peço a partir de agora um pouco da paciência dos leitores e atenção redobrada, pois talvez o texto se torne algo mais denso para compreensão.

Nada mais claro nos é hoje que, com a vinda dos africanos para o Brasil, vieram com eles também a suas religiões. Estas, com o passar dos tempos e outras causas que não cabe a este texto discutir se uniram e se amalgamaram constituindo então aquilo que hoje chamamos de Candomblé. O Candomblé possui como cerne de sua adoração os Orixás, chamados por uns de Inkices e por outros Voduns. Estes de modo geral foram antepassados dos povos que para cá vieram, como por exemplo, Xangô era rei da cidade de Oyó e Ogum da cidade de Irê. Com uma série de contos sagrados os itán-ifá, que hoje simplesmente identificamos por "lendas" do candomblé, constituem todo a base deste sério sistema religioso possuindo inclusive uma profunda filosofia nos conceitos para entendimento do Homem e a profunda integração com a Natureza.

Estes mesmos Orixás eram lembrados por seus feitos quando humanos, e pelos motivos de suas transformações em Orixás. A transformações destes homens importantes em Orixás por vezes remetem a uma guerra ou a uma grande paixão, podendo passar por grande ódio ou desilusão, ou por possuírem poderes de cura. Eram lembrados também por suas principais características na Terra ( Aye ), como ser justo, ou brigão, vaidoso, charmoso ou mesmo vingativo. A lembrança destes Orixás, portanto seus cultos consiste em oferendas destas ou daquelas comidas, panos de diversas cores, ou bebidas que mais os agradam e isto também relacionado a todo um sistema de práticas de magias e curandeirismos daquele povo, ou melhor daqueles povos.

Geralmente estes importantes homens ao se transformarem em Orixás tornavam-se elementos da Natureza como um rio, uma árvore, o mar, ou do Orum poderiam ter domínio de uma força natural como os trovões, as chuvas, as matas. Então podemos ressaltar que para os povos africanos e também em seus cultos no Brasil, a ligação dos Orixás é com a Natureza sendo eles próprios os elementos da Natureza ou Forças Divinizadas dela e não com os astros, cuja presença em todo o sistema de culto aos Orixás é inexpressiva ou mesmo inexistente. "Os iorubás como povos da floresta, pouco se interessam pelos astros, para eles, florestas e rios são mais importantes que a Lua ou as estrelas." "A morada dos deuses iorubás, emblematicamente, não fica no céu, mas sob a superfície da terra." ( Prandi ,R. 2002 ).
Tentarei agora a delimitar o problema que quero expressar.

A noção da "morada dos Orixás sobre a superfície da terra" é um conceito importantíssimo para este culto pois representa, a meu ver, um profundo enraizamento do homem na Natureza. Tudo está aqui e aos nossos olhos e mãos. Isto é o Orixá: os rios, o mar, as matas, as folhas e o vento e tudo isto que é a Natureza é o Orixá. Guardemos claramente isto em nossa mente e espírito.

Vejamos agora a mudança operada na Umbanda Esotérica:

Por diversas vezes Pai Matta em seus livros cita o nome de um pesquisador francês, Saint-Yves D'Alveydre. Este pesquisador parece ter sido escritor de alguns livros, dentre eles "L' Archéomètre", ou "O Arqueômetro". Poucas informações temos sobre o livro ou o autor mas, sabemos que ele apresenta um alfabeto dito como adâmico ou wattan, ou seja, um dos ou o primeiro alfabeto surgido entre os homens, segundo Mestre Yapacani. Sabemos ainda que este arqueômetro permitiu a ligação entre o dito alfabeto adâmico com os alfabetos hebraicos, sanscrito e latino, e destes com a numerologia bem como aos signos astrológicos.

Creio eu que a aplicação que a Umbanda Esotérica faz é, associar o nome dos Orixás à estas correlações dadas por Saint-Yves associando o nome do Orixá com suas correspondências numerológicas e astrológicas e daí a correlação com cores e dias da semana. Esta nos parece ser a grande diferença existente no ritual da Umbanda Esotérica. Isto a meu ver implica em drástica mudança ante o entendimento e culto do Orixá.

O Orixá como anteriormente dissemos, não está relacionado com o culto das estrelas ou quaisquer outras correspondências astrológicas, (apoiados estamos sobre pesquisas de respeitados antropólogos). O Orixá relaciona-se com as coisas da Natureza e não com a Lua ou as estrelas, segundo a Tradição. Não que na Umbanda Esotérica a Natureza e seus reinos, sejam descartados mas tornam-se moradas deste ou daquele Orixá pelas influências astrológicas que estas exercem sobre este ou aquele reino. Então a relação do Orixá com a Natureza torna-se secundária!

Apenas sete tornam-se os Orixás cultuados, Oxalá, Ogum, Oxossi, Xangô, Yemanjá, Yori, Yorimá, sendo estes dois últimos termos completamente desconhecidos. Com uma interpenetração um pouco maior neste estudos e atenção nas leituras conseguimos entender o surgimento deste dois termos. Yori é cultuado por todos como Ibeji, são as crianças, os erês, os populares meninos-de-angola. Existe uma discussão se Ibeji é Orixá ou não, mesmo nos cultos africanos onde parece realmente não ser. Aqueles que queiram se aprofundar nesta discussão, ver livro Os Candomblés da Bahia, Roger Bastide.

Quanto a Yorimá, peço a licença para a Ordem Iniciática do Cruzeiro Divino para reprodução de um pequeno trecho do artigo "Os Sete Grandes Mistérios" publicada na "Revista Umbanda - Uma Religião Brasileira" em seu número sétimo, mês maio/junho, do ano 1995, seu autor, William do Carmo Oliveira. Hei-la:

"Yorimá: conhecido nos meios externos da Umbanda , como Obaluayê, Omulu, Shapanan, Yorimá é o termo sagrado do Orixá que assim era fonetizado pela Antiga Raça Vermelha. Representa a terra." Apresentando um mito de Obaluaye, que interpretado sob correlações numerológicas, chega-se a um mesmo valor numérico do termo Shapanan e Yorimá. Seriam portanto uma mesma força, um só Orixá.

A explicação dada para tais modificações seria que, os termos Yorimá e Yori seriam termos litúrgicos esquecidos nas "noites do tempo", num glorioso passado da humanidade, de forma pura e límpida estas sete vibrações eram cultuadas. Os mais habituados a tais leituras verificam que sempre referentes aos termos Yorimá e Yori, estão vocábulos como, desvelado, reimplantado ou reaparecido. Estes mesmos termos constituiriam a "Coroa do Verbo", isto significa, termos sagrados para a movimentação das energias. Realmente, existe um mito narrando um nome oculto de Omulu/Obaluaiê, sendo, por algum motivo, muito perigoso ser pronunciado. Seria Yorimá!?

Na página virtual do "Primado de Umbanda", complementar a estas informações, dizem: "... os fundamentos continuam os mesmos." Será? As alterações também estão nas cores que representam as divindades. Estas anteriormente lembravam d'algum modo o Orixá e seus feitos ou moradas - por exemplo o verde das matas de Oxossi, ou o azul dos mares de Yemanjá, na Umbanda Esotérica sob as correspondências astrológicas tornam em amarelo, Yemanjá, Oxossi em azul, Ogum em alaranjado e Xangô, verde.

Problemas podem ser identificados; o primeiro relaciona-se ao ponto arquimediano desta operação, ou seja, o "arqueômetro". Este livro ou aparelho faz relações entre os alfabetos wattan, sânscrito, hebraico e latino, não parece fazer diante das línguas e dialetos africanos. Não havendo a ligação entre estes alfabetos, improvável se torna a relação. Talvez o motivo de ligar estes termos litúrgicos africanos a um passado na Índia ou de um antepassado comum entre eles, expressados por Pai Matta e seus seguidores seja este.

Um último problema que vejo seria que Orixás tão queridos e importantes como Oxum, Iansã ou Nanã não mais podem assumir a "cabeça" de um filho, função esta restrita aos sete Orixás supracitados. Quais funções passam a assumir estes Orixás? Será que, sendas futuras, assim como fazemos nós, também chorarão termos sagrados, esquecidos nas brumas de um passado áureo, que incautos reformadores e seguidores pouco vigilantes não souberam honrar ?!

Espero que não tenha sido eu, pedante ao ponto de afastar-vos de meus escritos. Também deixo claro que sou "filho" da Umbanda Esotérica e que minha vivência nesta religião já trilhada por 6 anos initerruptos de práticas e estudos. Porém de olhos bem abertos tento caminhar. Que a beleza do canto do Sabiá e a força presente na Cobra Coral acompanhem a todos os que por Amor à Verdade caminham devagar porém firmes

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Quem é Lucifer?







O Inicio de Tudo


A concepção que se faz de Lúcifer, Satanás, Satã, etc., da forma como ele é conhecido no Ocidente, chegou até nós de tempos mais antigos da História, através das escrituras do povo judeu, cuja terminologia e imagens sofreram influências das civilizações mais antigas que os circundava.

Babilônios - 
Uma das civilizações foi a dos babilônios – os mitos e simbolismos predominantes na Babilônia influenciaram bastante os textos do povo judeu, e palavras e imagens vinculados aos símbolos babilônios podem ser encontrados no Velho Testamento.

O que encontramos de mais óbvio neste sentido é a imagem deLeviatã , o Dragão ou o monstro:

" Naquele dia, punirá Yaveh (o Senhor), com sua espada dura, grande e forte, Leviatã , serpente veloz, e o dragão serpente sinuosa, e matará o monstro que está no mar " (Isaias 27,1)

Foi a partir de símbolos como este que nasceram as imagens formadas mais tarde ao redor do conceito de um "Ser Maligno", o provocador da desordem e do caos. 
 

Persas - 
Outra cultura religiosa dos tempos primitivos, que acabaria por exercer uma poderosa e duradoura influência sobre os autores judeus, foi a dos persas. Foi da Pérsia que surgiu uma teologia inteiramente baseada nas forças oponentes do bem e do mal.

O dualismo existente na religião persa, exerceu sobre os judeus uma influência que durou muitos séculos.

Zoroastro, ou Zaratustra , tornou-se conhecido na antigüidade como o fundador do sistema de magia, a religião dos magos, que depois acabou sendo aceita como a religião do povo persa-iraniano.

No sistema que ele desenvolveu, o princípio do mal era inteiramente separado do princípio divino. Afirmava-se então que tudo tinha uma causa, e, como o bem não podia causar o mal, deduzia-se que o mal tinha que ser um princípio separado.

O mundo natural teria surgido do Senhor da Sabedoria, Ahura-Mazdâ ou Ormazd, o Ser Espiritual primordial. Seu espírito orientador, vivia produzindo o bem de maneira constante, mas sofria restrições por parte de seu próprio irmão gêmeo, o espírito do mal, Arimã. A essência de Arimã era a falsidade, enquanto a de Ormazd era a verdade.

Foi esta concepção do conflito eterno, elemento que dava o significado central à própria religião, que teve efeito tão profundo sobre as doutrinas dos tempos posteriores.

E Arimã, o grande enganador, que foi expulso do "Paraíso" e lançado no "Inferno", tem um parentesco bastante claro com a concepção judaica do Inimigo (Satan), o arquienganador. 
 

Egípcios - 
Apesar de aparecer na mitologia de tantas das primitivas civilizações, o princípio sobre a existência de uma força do mal no Universo, a qual está sempre em luta contra o bem, os mais antigos textos religiosos conhecidos referentes a essas civilizações, em geral mostram uma concepção diferente do bem e do mal.

Segundo tais narrativas, tudo surge a partir das mãos do Senhor e Criador Supremo, e assim, tanto o que nós parece ser bom como aquilo que para nós tem a aparência de mau, seria mandado por Ele.

Os deuses do Egito antigo tinham esta mesma ambivalência. Todos comungavam da majestade de um Deus Supremo, que distribuía tanto o bem como o mal, sendo portanto o autor de todas as coisas.

Em sua mitologia primitiva, o deus Seth identificava-se com a destruição, com a morte do Sol, através do assassinato de Osíris. Mas ao mesmo tempo, era também venerado como um grande e poderoso deus criador.

Mas depois, nos mitos do Egito, em tempos posteriores, a história de Seth foi simplificada, de modo que ele se tornou apenas um ser cheio de maldade e hostil a todos os homens. Na verdade, ele acabou se transformando em uma personificação da maldade.

E esta concepção pode ter servido também como inspiração para idéias bíblicas posteriores a respeito do "Inimigo", por intermédio da influência do Egito sobre o povo judeu. 
 

Hindus - 
A ausência de um princípio do mal único é vista mais especialmente no hinduismo, que sempre foi e continua sendo uma religião bastante metafísica. Não devemos nos esquecer de que se trata de uma religião muito antiga, talvez a mais antiga de todas as religiões conhecidas.

Apesar de seu enorme panteão de deuses, o hinduismo interpreta suas divindades como manifestações de um Deus Único, atribuindo a elas poderes tanto de destruição como de criação, tanto de morte como de vida. A maior parte da mitologia hindu, como acontece em muitas outras mitologias, gira em torno de uma batalha cósmica, e de um combate espiritual entre luz e trevas.

Mas apesar disso, não existe a imagem de uma figura sobre a qual estaria o "ponto focal do mal".

Kalia deusa da morte que tudo devora, representa o anverso da deusa mãe que alimenta todos os seres vivos. Mas na mitologia hindu, ela está bem longe do que poderíamos considerar como uma concepção do Diabo.

Não se manifesta ali qualquer tendência ao dualismo. 
 

Budismo - 
No Budismo que teve seu começo no sexto século A.C. , o Ser Maligno é mostrado antes de mais nada, como tentador.

Segundo alguns dos textos que narram episódios da vida de Buda, Mara o grande tentador, teria aparecido a ele no céu e tentado evitar que ele renunciasse à vida mundana e de se tornar um andarilho. As palavras de Mara não tiveram efeito algum, mas a história acrescenta que, do mesmo modo que uma sombra segue o corpo, ele também, a partir daquele dia, sempre seguiu o Abençoado, fazendo tudo que era possível para lançar obstáculos em seu caminho na busca da condição da perfeição.

Mara também é chamado de Varsavati, "aquele que satisfaz os desejos" . Porque o desejo ou a sede pelo prazer, pelo poder e até mesmo pela existência terrena, vincula os seres humanos à roda da vida que gira eternamente (princípio da reencarnação), impedindo a liberação do verdadeiro ser, ou Nirvana. 
 

Hebreus - 
A idéia de um Deus Único e Supremo também era o centro de toda fé judaica, e serviu inclusive para diferenciar a primitiva religião hebraica, das religiões de todos os povos vizinhos que contavam com inúmeros deuses tribais.

Nas mais antigas escrituras judaicas, Yaveh aparecia como o Senhor do Universo, e tudo o que acontecia, tanto de bom como de mau, era causado por Ele.

Em Isaias (45,7) escrito no sexto século A.C., Deus diz:

" Eu formo a luz e crio as trevas, asseguro o bem estar e crio a desgraça: sim eu Yaveh, faço tudo isto "

Mais tarde, começou a surgir o sentimento de que Deus, o autor de todo o bem, não deveria ser escrito como a causa do mal; era preciso encontrar uma causa separada.

A religião persa, com a qual os judeus entraram em contato durante o exílio na Babilônia, foi uma clara influência que se manifestou por trás deste tipo de pensamento.

O mal era visto cada vez mais como sendo causado por um inimigo que se opunha a Deus e ao homem o adversário - que na verdade é o significado preciso da palavra hebraica Satan.

Nos livros apocalípticos dos séculos imediatamente precedentes à era cristã, os nomes dados ao "Inimigo" já começavam a ser combinados. Pela primeira vez na literatura, a serpente do Livro do Gênesis identificava-se com Satanás, O Diabo.

A própria palavra "Diabo" deriva do grego "diabolos", que significa "o acusador ou agressor"

Entre os anos 285 e 247 A.C., quando o Velho Testamento foi traduzido para a versão grega conhecida como "Os Setenta", "diabolos" foi a palavra usada para a tradução do vocábulo hebraico Satan.

No Livro de Jó, Satan aparece como acusador e tentador do homem, mas ainda é visto como um "súdito" do Soberano. Ele apresenta-se diante da corte celestial e age conforme as instruções do Senhor.

No Livro de Samuel, compilado no décimo século A.C. , está escrito que o Senhor tentou Samuel.

Mas no primeiro Livro de Crônicas (21,1), um texto bem posterior do Velho Testamento, é Satan quem tenta Davi para que desobedeça a Lei e seja alvo da ira de Deus.

Segundo esta interpretação, o perigo passava a vir por meio do Inimigo (Satan), e não mais através do próprio Deus.

Baal Zebub foi outro nome usado para a mesma figura de Satanás no período apocalíptico das escrituras hebraicas.

O nome Baal Zebub é mencionado apenas no Velho Testamento. Em 2Reis 1, o rei de Israel manda mensageiros para perguntar a Baal Zebub, o deus de Ecrom, se ele se recuperaria de sua enfermidade. O anjo do Senhor diz a Elias que vá ao encontro dos mensageiros do rei e lhes diga : "Porventura não há um Deus em Israel, para irdes consultar Ball Zebub, rei de Ecrom ? Por isso… com certeza morrereis ".

"Ball", isto é, "senhor", era o título dado a uma divindade local: "zebub" significa "moscas". 
Portanto, Ball Zebub poderia representar o Ball para quem as moscas são sagradas - o Senhor das Moscas. Hoje se sabe que a divinização por intermédio das moscas era praticada na Babilônia.

Em algumas versões do Novo Testamento, é encontrado o nome "Bellzebu". A palavra "zebul" aparece no Livro dos Reis, significando altura: "belth-zebul" é a casa elevada, ou templo, de modo que Beelzebu poderia significar o "Senhor da Casa Elevada"

Em Mateus 10,25 lemos : " Se chamaram Beelzebu ao chefe da casa, quanto mais chamarão assim aos seus familiares".

Mas independente da grafia de "Ball Zebub" ou "Bellzebu", nada se sabe quanto a maneira ou ao momento preciso em que este deus pagão em particular, teria passado a ser visto como "o príncipe dos demônios" (Marcos 3,22), apesar de ser coisa comum para os judeus dos tempos do Velho Testamento encararem os deuses pagãos de seus vizinhos, como representação do Ser Maligno. 
 

Apócrifos da Bíblia – 
Pelo o que sabemos hoje, a história de como Satanás foi expulso do Paraíso, teria tido a sua origem nos livros judeus apócrifos. Tratam-se de textos que circulavam entre os judeus durante os séculos imediatamente anteriores e posteriores ao início da era cristã.

O mais importante de todos estes era o Livro de Enoch.

Na verdade o Livro de Enoch era uma coletânea de diversas obras literárias, que apareciam todas sob o nome de Enoch, mas que teriam sido escritas por diferentes autores. Tudo indica que o livro era bastante conhecido até o século VIII.

A história da queda dos anjos não é propriamente uma doutrina das escrituras, já que nunca fez parte do organismo ortodoxo dos textos do Velho Testamento.

No entanto, acabaria tornando-se a base principal dos ensinamentos posteriores sobre Satanás e sobre o seu lugar em nosso mundo.

Segundo o mito apócrifo, a história dos anjos teria sido revelada a Enoch. Em uma visão, ter-lhe-ia sido mostrado como um grupo de anjos, encorajados por seu líder, teria descido da corte celestial para a Terra. Em nosso mundo, eles teriam "desejado as filhas dos homens" e rejeitado o Paraíso, tornando-se, após sua queda, seres maus, os Anjos Sentinelas, que teriam produzido uma raça de gigantes em sua união com as "filhas dos homens". Esta parte da história tem bastante semelhança com o capítulo 6 do Livro do Gênesis.

Os Sentinelas teriam ensinado aos homens muitas artes e ciências, mas também o vício.

Seus descendentes "espalharam a iniquidade sobre a Terra" até o dia em que Deus teria decidido provocar o Dilúvio, como forma de punição contra os pecaminosos seres humanos, condenando os anjos a viver nos lugares mais escuros da Terra, até o dia do Juízo Final.

Mas os gigantes teriam produzido seus próprios descendentes, espíritos maus que teriam permanecido sobre a Terra, continuando a liderar os homens pêlos caminhos do mal.

O outro livro, que trata dos Segredos de Enoch e que foi provavelmente escrito no Egito no princípio da era cristã, fala da viagem de Enoch através das diferentes cortes do Paraíso. A ele são mostrados os Grigori na prisão. Estes eram anjos rebeldes que, juntamente com seu príncipe, chamado Satanael, tinham rejeitado o Senhor Deus.

No Livro dos Doze Patriarcas, um de outros livros apócrifos, o chefe dos anjos caídos tem o nome de Belial. Ele é o principal antagonista de Deus, e compete em busca da lealdade dos homens.

O livro apocalíptico dos Jubileus afirma que os Sentinelas vieram para Terra e depois pecaram, mas que seu príncipe , Samaael, teria tido a permissão de Yaveh para atormentar a humanidade. 
 

Conclusão - 
Ao poucos, os diversos nomes usados para descrever os líderes dos anjos rebeldes acabaram se combinando no nome de um único ser espiritual, que personificava a origem e a essência de todo o mal. Satan (Satã), o adversário, tornou-se o mais importante e o mais usado de todos os nomes dados a este Ser.

Para poder expressar as idéias a respeito dos acontecimentos cósmicos, numa escala gigantesca, sobre a qual é impossível se ter conhecimento direto, todas as grandes religiões, sem exceção nenhuma, têm recorrido a religião. Esta é a única maneira.

Assim, o fato de aparecerem em muitas religiões mitos semelhantes para descrever a guerra universal entre o bem e o mal, e a existência, nas escrituras hebraicas, de histórias especialmente montadas com a finalidade de dar uma explicação sobre o surgimento do mal, não significam que o próprio Diabo seria necessariamente o resultado da fantasia humana.

O fato de ter existido uma concepção Dele em todos os períodos da História e em inúmeros lugares, não prova nem desmente coisa alguma a respeito.

Não são penas as pessoas simples que confundem o significado que um mito pretende transmitir, com os verdadeiros acontecimentos históricos. Até os maiores estudiosos demostram uma propensão no sentido de fazer isso.

Os debates e as discussões sobre o mal e o ponto focal do mal, que se têm verificado de maneira contínua na História, mostram a freqüência com que isso acontece.

Sempre se manifestou uma tendência no sentido de confundir a crença no princípio representado por um mito religioso com a crença nos acontecimentos reais que, segundo a narrativa, teriam tido lugar. Obviamente as duas não são a mesma coisa.

Esta confusão tem levado a muitos argumentos estéreis e a inúmeros ataques contra a crença religiosa de um modo geral, que acaba sendo equiparada à superstição.

O perigo dessa confusão aparece de modo constante nas questões que dizem respeito ao Diabo.

Tudo o que tem sido escrito a respeito dele nos sistemas religiosos e em incontáveis lendas e histórias torna muito difícil separar a metáfora daquilo que pretende ser a descrição dos fatos.

Texto retirado do site:http://anjo_lucifer.sites.uol.com.br/historia.html